Aloysio no Itamaraty

O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) foi confirmado na tarde desta quinta-feira pelo Planalto como o novo ministro das Relações Exteriores. Ele assume o lugar deixado por José Serra, que pediu exoneração do posto por problemas de saúde, principalmente dores nas costas que o impediam de viajar. Aloysio já era visto como o favorito para o cargo e havia sido sondado antes mesmo de Serra assumir a pasta.

Com a escolha, o Itamaraty não deve mudar a política de afastamento de outros países latino-americanos, que foi a tônica durante os anos de Partido dos Trabalhadores no poder. Ex-militante de esquerda, o novo ministro é um crítico ao modelo bolivariano adotado por países do continente. Como presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, Aloysio fez parte da comitiva que, em 2015, tentou visitar o líder oposicionista venezuelano Leopoldo López na prisão em Caracas, mas foi impedida por questões políticas.

Ex-líder do governo no Senado, Aloysio responde a um inquérito no Supremo pelo recebimento de 300.000 reais de maneira oficial e 200.000 em caixa dois para sua campanha ao Senado, em 2010, da UTC, envolvida no esquema apurado pela Lava-Jato.

A escolha de alguém do PSDB para o cargo também foi a prática do governo de Michel Temer num momento em que precisa manter sua base no Congresso unida. Os tucanos já haviam perdido o Ministério da Justiça na semana passada, quando Alexandre de Moraes foi aprovado como ministro do Supremo e Osmar Serraglio (PMDB-RS) o substituiu. Temer sofre pressão com o depoimento do empreiteiro Marcelo Odebrecht no processo que pode cassar seu mandato e com as denúncias que atingem um dos homens fortes do governo, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha.

Quem assume a vaga de Aloysio no Senado é o ex-deputado federal Airton Sandoval, de 73 anos. Sandoval diz que vai apoiar integralmente as reformas propostas por Temer e que defenderá, ainda, o parlamentarismo e o municipalismo.