“Alô, mãe?”: relembre 5 momentos marcantes do jornalista Ricardo Boechat

O jornalista faleceu nesta segunda-feira (11), em uma queda de helicóptero, na rodovia Anhanguera em São Paulo

São Paulo — Ricardo Boechat, que faleceu nesta segunda-feira (11) vítima de um acidente de helicóptero, é considerado uma lenda do jornalismo brasileiro.

Com passagem pelos maiores veículos de comunicação do país, como O Estado de S.Paulo e o jornal O Globo, ele se consagrou como um dos principais comentaristas e apresentadores do noticiário nacional.

Desde 2006, fazia parte do quadro de jornalismo da TV Bandeirantes, onde era âncora do Jornal da Band e também de um programa diário na rádio BandNews FM. Ele era comentarista, ainda, do quadro “café com jornal” da rádio.

Nas palavras de Míriam Leitão, sua colega de profissão, Boechat foi “um revolucionário na comunicação, que buscava a relação cada vez mais direta, mais sincera, mais rápida com o seu leitor, ouvinte, telespectador, internauta”.

Ele foi o precursor das colunas com pequenas notas de conteúdos exclusivos, como fazem hoje Ancelmo Gois e Mônica Bergamo.

Durante sua carreira, venceu três vezes o Prêmio Esso de Jornalismo, uma das principais honrarias para profissionais de comunicação.

Boechat será lembrado, segundo colegas de profissão, pela sinceridade e lucidez com que abordava questões sensíveis da política brasileira.

Na manhã desta segunda-feira, ele entrou ao ar para comentar sobre a tragédia em Brumadinho, que deixou 325 mortos — 160 corpos ainda estão desaparecidos.

Para entender a importância de Ricardo Boechat para o jornalismo brasileiro, EXAME compilou alguns de seus episódios mais marcantes. Veja a seguir:

“Alô, mãe?”

Na edição do Jornal da Band, de 26 de fevereiro de 2015, Boechat ironizou o fato dos políticos negarem que receberam dinheiro de empreiteiras e, ao vivo, fingiu ligar para sua mãe e questionar se ela tinha recebido dinheiro das empreiteiras.

“Alô, mãe? Você recebeu o dinheiro das empreiteiras? Não? Os deputados da CPI também estão dizendo que não…”, ironizou.

“A culpa está no campo da Vale e da fiscalização”

Em seu último programa, nesta sexta-feira, o jornalista comentou sobre a impunidade de grandes desastres no Brasil, como em Brumadinho e Mariana.

“A culpa não pode ter recaído sobre o Vaticano, nem na república da Bessarábia. A culpa está no campo da Vale, no campo da legislação”, disse.

“O país não está a caminho do caos”

Dois dias antes do segundo turno das eleições presidenciais de 2018, Boechat comentou sobre o futuro do Brasil.

“Seja qual for o resultado no domingo, o país não está a caminho do caos”, afirmou, em uma tentativa de amenizar os conflitos pré-eleitorais que o país estava vivendo.

“Hoje eu vou me vacinar contra a gripe”

Em um vídeo de conscientização sobre a campanha de vacinação contra a gripe, Boechat foi ao posto de saúde para receber a dose. Tudo parecia normal, até que ele tirou a camisa e estava com um sutiã.

“Vai procurar uma rola, vai”

Em 2015, um conflito entre Boechat e Silas Malafaia marcou a internet. Na ocasião, o pastor evangélico publicou em seu Twitter um desafio para debater com o apresentador.

“Avisa o jornalista Boechat que está falando asneira, dizendo que os pastores incitam os fiéis a praticarem intolerância; um verdadeiro idiota”.

A resposta de Boechat virou icônica: “Ô Malafaia, vai procurar uma rola, vai”, respondeu o jornalista.