Aliados agem para reverter ameaça de Maia em deixar articulação da reforma

O presidente da Câmara disse a Guedes que se é para ser atacado nas redes sociais por filhos e aliados de Bolsonaro, o governo não precisa de sua ajuda

São Paulo — As ameaças do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, em deixar as articulações da reforma da Previdência, preocupam aliados do governo de Jair Bolsonaro.

A aprovação da proposta é a principal medida para que o governo garanta investimento nos próximos anos e acalme o mercado financeiro — que já reagiu à crise gerada e terminou a semana com a Bolsa em queda e o dólar no maior valor do ano.

Nesta sexta-feira (22), após repercussão na imprensa de que Maia estaria irritado com críticas do filho do presidente, Carlos, contra ele, houve uma mobilização para reverter o desconforto gerado.

A deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), líder do governo no Congresso Nacional, entrou em campo para tentar acalmar a situação e tentar reverter a decisão de Maia. “Maia é um entusiasta da Nova Previdência. Vamos alinhar toda essa questão”, afirmou.

“Creio que Maia não desistirá da aprovação da Previdência, ele é uma das peças mais importantes, eu estou conversando com ele. Vamos pacificar isso.” Joice se reuniu nesta sexta-feira com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e em seguida com o presidente da Câmara.

Segundo ela, a relação com Maia não está “no ponto do divórcio”, mas de “reatar a relação”. A parlamentar também usou as redes sociais para defender o político de “um movimento nas redes para colar em Rodrigo Maia a pecha de que ele é contra a Nova Previdência”, o que, segundo a deputada, é uma campanha mentirosa.

O filho mais velho do presidente, Flávio, também usou as redes sociais para elogiar o presidente da Câmara dos Deputados e defender a reforma da Previdência.

“Presidente da Câmara Rodrigo Maia é fundamental na articulação para aprovar a Nova Previdência e projetos de combate ao crime. Assim como nós, está engajado em fazer o Brasil dar certo!”, escreveu Flávio em sua conta no Twitter.

Cerca de uma hora depois ele voltou à rede social. “A governabilidade durante os 4 anos de governo está diretamente ligada à aprovação da Nova Previdência. Essa é a única frente de batalha que deve ser aberta no momento, todas as outras atrapalham o Brasil”, escreveu.

Em viagem no Chile para um encontro com líderes da América do Sul, o presidente Bolsonaro também amenizou os desentendimentos com o líder da Câmara.

Durante entrevista a jornalistas, ele afirmou não ver “motivo”, com base nas publicações recentes do seu filho Carlos nas redes sociais, para o afastamento de Maia. Mesmo assim, reforçou estar disposto a buscar uma reaproximação.

“Eu estou sempre aberto ao diálogo. Eu estou fora do Brasil. Só quero saber qual é o motivo. Eu não dei motivo para ele sair [da articulação da reforma]”, argumentou.

Questionado sobre o que fazer para reverter a decisão de Maia, Bolsonaro reiterou que pretende conversar com o deputado e comparou a relação com ele a um namoro. “Você nunca teve uma namorada e brigou com ela? O que você fez para ela voltar? Não conversou?”.

Governo deve conversar com Maia

Mais cedo, o presidente em exercício, Hamilton Mourão, disse em entrevista à Rádio Gaúcha que as redes sociais não expressam a opinião do governo e defendeu a construção de pontes com Maia.

“Se por acaso o presidente Rodrigo ficou incomodado com isso, compete a nós do governo lançarmos aí as pontes e conversarmos com ele”, disse Mourão, que exerce a Presidência da República em função da viagem de Bolsonaro ao Chile.

“Rede social não tem nada a ver com a opinião que todos nós membros do governo, do Executivo, temos sobre ele como presidente de uma das Casas do Legislativo”, afirmou. “Eu considero particularmente o deputado Rodrigo Maia um apoiador incondicional das principais ideias que nós temos e conto, assim como todos nós do governo, com o apoio dele.”

Com uma crise política em vista, Maia usou seu Twitter para responder uma mensagem da deputada estadual paulista Janaína Paschoal (PSL) e afirmou que seguirá defendendo a reforma.

(Com Reuters)