Alckmin torna sigilosos por 25 anos documentos sobre Metrô

Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, quase 160 conjuntos de documentos que mostrariam os motivos para atrasos nas obras tornaram-se classificados

São Paulo – O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), tornou ultrassigilosos quase 160 conjuntos de documentos sobre o Metrô, CPTM e ônibus intermunicipais da capital. A resolução torna inacessíveis as informações sobre o transporte metropolitano por 25 anos, como informa a Folha de S. Paulo.

Segundo o jornal, em cada conjunto de documento pode haver estudos de viabilidade, relatórios de obras e projetos e boletins de ocorrência da Polícia. Assim, nesses documentos constariam, por exemplo, os motivos pelos quais as obras de transporte na cidade estão tão atrasadas.

Pela Lei de Acesso à Informação, de 2012, este é o grau máximo de sigilo que pode ser imposto a documentos públicos — as opções “reservado” e “secreto” vetam o acesso por 5 e 10 anos respectivamente. Alckmin tem hoje 62 anos, portanto, seus acordos e definições sobre o transporte só serão reveladas quando o governador chegar aos 87 anos. 

Cinco das sete obras do Metrô de São Paulo registram ao menos dois anos de atraso em relação às promessas originais de entrega do governo estadual, segundo o jornal O Estado de S. Paulo. A promessa de Alckmin em campanha para o primeiro mandato era ampliar a linha para 100 quilômetros de extensão. Hoje, no início do segundo mandato, São Paulo tem 78 quilômetros.

Estão atrasadas, por exemplo, obras dos monotrilhos da Zona Sul, Leste e da Linha 5-Lilás, paralisada em 2012 por suspeita de ações de cartéis das construtoras e pela presença de uma adutora próximo a Estação Adolfo Pinheiro. A conclusão da Linha 4-Amarela e a construção do monotrilho linha 18-Bronze que vai para o ABC não tem previsão de retomada.

Outro lado

A assessoria de imprensa da Secretaria Metropolitana de Transportes de São Paulo disse à Folha que os documentos foram classificados como sigilosos “com a intenção de impedir que fossem acessados por pessoas ‘mal-intencionadas’ ou ‘inabilitadas'”.

O acesso possibilitaria “danos aos sistemas operacionais das empresas, colocando em risco a população usuária, além do sistema metroferroviário como um todo”.

Para a gestão Alckmin, “esses documentos contêm informações técnicas que expõem a segurança de sistemas e estratégias operacionais além de informações pessoais de usuários”.

Hoje à tarde, Alckmin respondeu à reportagem da Folha dizendo que a decisão será revista. 

“Olha, isso foi feito não pelo governador. Isso foi feito na Secretaria dos Transportes e eu já determinei que seja feita uma reavaliação”, disse Alckmin ao jornal. “Se não houver nenhum risco para usuários do Metrô, nenhum problema outro, vai ser tudo liberado. Então nós já determinamos que seja feita uma reavaliação.”