Agricultores familiares acampam na Esplanada dos Ministérios

Segundo o Movimento Camponês Popular, a ocupação é um protesto diante da falta de resposta do governo às reivindicações dos trabalhadores do campo

Brasília – Agricultores familiares que integram o Movimento Camponês Popular (MCP) montaram acampamento, na madrugada de hoje (4), na Esplanada dos Ministérios, em frente ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). O protesto faz parte da Jornada de Lutas em Defesa da Agricultura Camponesa e do Meio Ambiente e segue até pelo menos quarta-feira (6).

A pauta de reivindicações a ser apresentada ao governo contém 16 itens. Amanhã (5), integrantes do MCP se reúnem com representantes dos ministérios das Cidades, da Educação, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e outras autoridades. A ideia é discutir as reivindicações também com a presidente Dilma Rousseff.

De acordo com o coordenador do MCP, Altacir Bunde, a ocupação é um protesto diante da falta de resposta do governo às reivindicações dos trabalhadores do campo. “As famílias do campo vivem uma situação crítica. Além da seca que agrava os problemas de plantio, cerca de 800 mil famílias camponesas não conseguem pagar suas dívidas do Pronaf [Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar]. As grandes empresas nunca pagaram tão pouco pelos produtos produzidos pelos camponeses como atualmente, o que intensifica o processo de exploração e aumenta os lucros das multinacionais”, disse Bunde.

A agricultora familiar e militante do MCP Michelle Jorge Panteão disse que as principais dificuldades para realizar o trabalho no campo são a falta de assistência técnica, capacitação e pesquisa e o acesso à educação. “Precisamos de fortalecimento, capacitação e assistência técnica para os pequenos agricultores”.

O agricultor familiar Geraldo Souza Lobo, 60 anos, contou que enfrenta dificuldades para sustentar a família com a pequena plantação que cultiva. Acrescentou que não pode estudar e que os filhos nem chegaram a concluir o ensino fundamental. “Tenho três filhos e todos estudaram só até o terceiro ano, eu queria muito que eles estudassem, mas morar na roça não é fácil, a escola é muito longe e meus filhos preferiram lutar comigo”.