Agnelo nega que ex-assessor tenha atuado em favor de Cachoeira

Político afirmou reiteradamente que Monteiro não serviu de elo entre seu governo e o empresário Carlinhos Cachoeira

Brasília – O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), voltou a defender nesta quarta-feira seu ex-chefe de gabinete Cláudio Monteiro, que segundo a Polícia Federal, teria relações com o empresário Carlinhos Cachoeira, e teria recebido um rádio de comunicação exclusivo da organização que seria comandada pelo empresário.

Em depoimento à CPI que investiga os laços de Cachoeira com empresas e políticos, Agnelo afirmou reiteradamente que Monteiro não serviu de elo entre seu governo e o empresário, preso desde fevereiro acusado de comandar uma rede de jogos ilegais.

Ele também negou que o ex-auxiliar atuasse em favor da construtora Delta, apontada pela PF como empresa que teria Cachoeira como sócio oculto e que seria usada por ele para lavar dinheiro obtido com jogos ilegais.

Agnelo disse conhecer Monteiro há muitos anos e que ainda tem “muita confiança” nele. O ex-assessor foi afastado do governo em abril, depois que surgiram suspeitas de seu envolvimento com Cachoeira.

Monteiro ainda deve prestar depoimentos na CPI, mas Agnelo disse que perguntou ao aliado se ele recebeu o telefone exclusivo, como suspeita a PF, e ele negou que isso tenha acontecido.

O governador também negou que o ex-auxiliar tratasse de contratos da administração distrital e descartou que ele tivesse agido em favor da construtora Delta na coleta de lixo no Distrito Federal.

“Acho improvável porque ele não estava tratando dessa coisa do lixo. Mas ele recebeu pessoas da Delta, que é o trabalho do chefe de gabinete. E não teve nenhuma ação dele que eu não considere republicana e não teve nenhum pedido dele em favor da Delta para mim”, disse Agnelo.

Questionado pelo relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), sobre reuniões de Monteiro com representantes da Delta, o governador disse que ouviu do aliado que os encontros ocorreram, mas que só foram tratadas questões “republicanas”.


Monteiro também acompanhou Agnelo quando ele esteve no comando da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e no Ministério do Esporte.

O governador também fez questão de dizer que não tem qualquer relação com Carlos Cachoeira e que só o encontrou uma vez, enquanto ainda estava na Anvisa, quando foi conhecer a Vitapan, indústria de medicamentos que pertence a Cachoeira.

“Visitei essa fábrica, a Vitapan, assim como visitei outras fábricas em Anápolis, que é o segundo pólo farmacêutico no Brasil”, argumentou.