Aedes Aegypti: epidemia sem freio

Esta sexta-feira é dia de mobilização nacional de combate a um inimigo poderoso, o mosquito Aedes Aegypti, que transmite dengue, zika e chikungunya. Estamos perdendo as batalhas. Em 2015, foram 1,5 milhão de casos só de dengue, com 833 mortes confirmadas no Brasil. Um recorde. O último dado do Ministério da Saúde mostra que, este ano, já eram mais de 1,4 milhão de casos confirmados, com o Sudeste registrando 58% dos casos e o Centro-Oeste a maior taxa de incidência.

As ações têm sido insuficientes. Nem o surto de microcefalia, provocada pelo vírus da zika, foi suficiente para garantir um combate mais efetivo ao Aedes Aegypti. O estado de Pernambuco, foco do problema, notificou mais de 2.100 bebês nascidos com a deformação desde o segundo semestre de 2015. “A mobilização de combate ao mosquito foi massiva, mas as campanhas não têm dado resultado. Já são 178.000 casos de casos de doenças registradas este ano no estado, contra 140.000 do ano passado”, afirma o médico Carlos Brito, especialista em saúde pública e imunologia da Universidade Federal de Pernambuco.

No Brasil, a zika já atingiu 200.000 pessoas este ano. E a chicungunya também se alastra: são 236.000 casos registrados em 2016, contra 23.000 de 2015. As regiões Sul e Sudeste devem ser as mais afetadas. Outras febres com sintomas parecidos também são transmitidas pelo Aedes Aegypti. “As distâncias entre as regiões e entre os países do mundo estão menores, o que aumenta a possibilidade de disseminação de viroses como a marayo e o oropuche, antes restritas à Região Amazônica”, diz Brito.

Em julho, o governo federal aprovou a entrada de uma vacina contra a dengue no país, produzida pelo laboratório francês Sanofi. Mas os custos são elevados, e a nossa própria vacina ainda está em fase de desenvolvimento, sem previsão de ser lançada. Mosquitos transgênicos também estão sendo usados para tentar combater o mosquito. Mas é importante lembrar que a causa do problema é de ordem mais básica: a moradia brasileira ainda é precária. Estima-se que um terço da população receba água de forma intermitente, sem regularidade no fornecimento. Num cenário como esse, as epidemias devem continuar se alastrando.