Bolsonaro diz que não vai parabenizar Fernández após vitória na Argentina

Para o presidente brasileiro, eleitores argentinos "escolheram mal", mas por enquanto, o Brasil "não vai se indispor" com o país vizinho

São Paulo — Após a vitória eleitoral na Argentina de Alberto Fernández, o presidente Jair Bolsonaro afirmou na noite deste domingo (28) que os argentinos “escolheram mal” e que não irá parabenizar o novo presidente, que tem Cristina Kirchner como vice-presidente.

“Lamento. Eu não tenho bola de cristal, mas eu acho que a Argentina escolheu mal”, afirmou ele a jornalistas na saída do hotel Emirates Palace, em Abu Dhabi.

Apesar de dizer que não pretende parabenizar o argentino, Bolsonaro afirmou que, por enquanto, “não vai se indispor” com o país vizinho.

A ligação após vitória é praxe entre vizinhos e países com relações diplomáticas relevantes, como a Argentina que é o terceiro maior parceiro comercial do Brasil.

“Vamos esperar o tempo para ver qual a posição real dele na política. Porque ele vai assumir, vai ver o que tá acontecendo e vamos ver qual linha ele vai adotar”, garantiu.

Bolsonaro criticou, ainda, a posição de Fernández em relação ao ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e define que “ele já disse a que veio”. Durante seu discurso vitorioso, Fernández voltou a defender a bandeira de “Lula Livre”.

Para Bolsonaro, fala é uma “afronta à democracia brasileira e ao sistema judiciário brasileiro”: “Uma pessoa condenada em duas instâncias. Outras condenações a caminho. Ele está afrontando o Brasil de graça no meu entender. Nós estamos aguardando seus passos para, talvez no futuro, tomar alguma decisão em defesa do Brasil. Decisões em defesa do Brasil”, disse.

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Sobre as relações bilaterais e Mercosul, o chefe brasileiro afirmou que “por enquanto, está tudo bem”. “Vamos esperar o banho de realidade que ele vai ter. A Argentina não vai bem, mas já ouvi falar que muita gente vai tirar os recursos de lá, tirar dinheiro, algumas empresas, e isso parece que já está acontecendo”, explicou.

Já sobre o acordo UE-Mercosul, o brasileiro adota uma posição cautelosa. “Se interferir, segundo o Paulo Guedes, nós não sairemos do Mercosul, mas podemos nos juntar ao Paraguai, não sei o que vai acontecer no Uruguai, e decidirmos se a Argentina fere alguma clausula do acordo ou não. Se ferir, podemos afastar a Argentina. Mas espero que nada disso seja necessário. Espero que a Argentina, na questão comercial, não queira mudar o seu rumo.”

Crise no PSL

Bolsonaro voltou a falar que busca alternativas para sair do PSL, que está mergulhado em disputas internas. Quando perguntado sobre um possível divórcio, o presidente disse: “vamos ver”.