A ressaca do PMDB do Rio

Depois de dominar as duas últimas eleições municipais no Rio de Janeiro, foi a vez do PMDB amargar a ressaca da derrota nesta segunda-feira. Foram para o segundo turno Marcelo Crivella (PRB) e Marcelo Freixo (PSOL), debaixo de comemorações pelo fim da “hegemonia” do PMDB no Estado. O candidato Pedro Paulo, apoiado pelo prefeito Eduardo Paes, disse que o partido e ele devem se manter neutros na disputa. Nem seria preciso: nenhum dos candidatos sinalizou que estejam interessados em seu apoio.

O líder Crivella disse que não conversou e nem tem a “intenção” de se aproximar dos peemedebistas, mas que vai dialogar com as demais forças políticas. Freixo foi ainda mais longe ao dizer que “se eu fosse defensor de bandido, eu me candidataria pelo PMDB”. Seja pelo partido ou pela acusação de agressão contra sua ex-mulher, Pedro Paulo trazia consigo a maior rejeição nas pesquisas, fazendo com que nenhum dos possíveis prefeitos queiram uma associação.

Vale ressaltar como mudou a vida do PMDB do Rio de Janeiro. Há quatro anos, Eduardo Paes subiu para comemorar sua reeleição ao cargo de prefeito da cidade em primeiro turno (64,6% contra o mesmo Freixo) com um discurso de agradecimento ao PT. Mostrou sua gratidão ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo apoio dado em seu primeiro pleito, em 2008, e à então presidente Dilma Rousseff, a quem chamou de “grande amiga do Rio”. Um Eduardo Cunha e um impeachment depois, seu pupilo Pedro Paulo afundou junto com petistas que apoiaram Jandira Feghali, sétima colocada no pleito (3,3%). Nem o peso da Olimpíada, em que Paes foi o protagonista político, colocou Pedro Paulo em evidência.

Pior ainda para a ala carioca é ver que queda no Rio contraria o resultado geral do PMDB. O partido lidera em número de prefeituras, com 1.019 cidades, com chance em mais seis capitais. O que aconteceu? “São dois fatores, a escolha do candidato, com polêmicas e imagem arranhada de partida, e uma agenda política associada à incompetência do Estado, já que as obras de infraestrutura para Copa e Olimpíada estão associadas à corrupção”, afirma Rafael Cortez, analista político da Tendências Consultoria.

Acidentes como o da ciclovia Tim Maia, que desabou em abril, e a carência de serviços públicos de saúde completam o combo de insatisfações com o governo. Pesa também a figura de Eduardo Cunha. O político com maior rejeição do Brasil, segundo pesquisa Ipsos de junho, faz parte da legenda no Estado. É muita coisa ruim junta, que joga um banho de água fria nas pretensões de Eduardo Paes de alçar voos na política nacional.