A “missão impossível” no Senado

 

Nesta terça-feira, os trâmites do processo de impeachment começam oficialmente no Senado. À tarde, o presidente da casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), fará a leitura da denúncia contra a presidente Dilma Rousseff e, depois disso, os líderes partidários indicarão os 21 representantes da comissão especial que vai conduzir o processo. Hoje, portanto, Dilma começa uma batalha que deve durar pelo menos seis meses – e que muitos parlamentares já estão chamando de “missão impossível”.

O governo sabe que é muito difícil impedir que o Senado autorize a investigação do impeachment. Para que o processo seja analisado, são necessários votos de 41 a 81 dos senadores. O limite para o julgamento, sem medidas protelatórias, é setembro. Lá, são necessários 54 votos para afastar Dilma definitivamente. Os jornais já mapearam que 45 parlamentares são pró-impeachment. O governo tem apenas 21 senadores que o apoiam.

No Senado, avaliam analistas, o jogo é outro. Senadores são, em geral, menos suscetíveis a promessas fisiológicas que causam alvoroço na Câmara. Por isso, uma das prioridades do governo é retomar o diálogo com PP, PR e PSD, partidos que juntos têm 14 senadores e que votaram em massa a favor do impedimento na Câmara.

O governo Dilma é reconhecido pela péssima articulação com o Congresso, mas tem mais aliados no Senado do que na Câmara. Calheiros, em tese, é um deles. “Desde que o começo, Dilma privilegiou as articulações com o PMDB e outros partidos no Senado. Isso deixou o governo muito fragilizado na Câmara, mas em tese mais fortalecido na câmara alta”, diz Marcelo Issa, sócio da consultoria Pulso Político. “A questão é saber até quando existe lealdade a esta altura do campeonato”.

Calheiros pode ajudar o governo, mas talvez tenha que começar a se ajudar antes do esperado. Ontem, o ex-diretor da área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, reafirmou que ao juiz Sérgio Moro que ele recebeu seis milhões de reais em propinas do Petrolão. Sobre Renan, pesam nove inquéritos no Supremo. Em Brasília, os sinos dobram para todos.