A Lava-Jato nas eleições

Às vésperas das eleições municipais, as recentes fases da Operação Lava-Jato têm foco direto no PT. Além da denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, símbolo máximo da legenda, os ex-ministros Guido Mantega e Antonio Palocci foram presos em um espaço de apenas quatro dias. Por ter acelerado o número de ações contra o partido, recheadas de polêmicas processuais, a força-tarefa virou alvo de bombardeio da defesa dos acusados.

José Roberto Batochio, advogado de defesa dos ministros, chamou de “antecipação do show” a declaração do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, que deu a entender que ele sabia da prisão de Palocci e de “arbitrária, desumana e desnecessária” a prisão de Mantega, feita na semana passada, quando ele acompanhava a mulher no hospital. Em linhas gerais, petistas e seus defensores aproveitam deslizes para imputar à operação um viés partidário.

Mas cientistas políticos consultados por EXAME Hoje afirmam que as prisões mais recentes, e sua repercussão, devem ter pouco efeito nas urnas. Aqueles que mantém apoio ao PT até agora estão convencidos de que a Lava-Jato tem objetivos espúrios. Quem rejeita a legenda continua apoiando a operação e confia em sua correção.

“Nas eleições municipais, as questões locais são muito mais determinantes. Em São Paulo, a redução das velocidades mínimas nas Marginais Tietê e Pinheiros vêm pautando muito mais os embates entre os candidatos do que a Lava-Jato”, afirma o cientista político Ricardo Ribeiro, analista da MCM Consultores

Seja como for, os episódios recentes podem ampliar o desânimo da militância, o que pesaria contra o partido também nos votos para vereadores. E, no geral, a Lava-Jato já feriu o PT. O partido tinha 1901 candidatos em 2012 e hoje tem 989 postulantes, segundo o Tribunal Superior Eleitoral. Segundo a consultoria Arko Advice, o PT deve terminar o pleito com metade das 700 prefeituras que conquistou em 2012. Com menos poder de fogo local, e seus principais nomes encurralados, o PT deve ter sérias dificuldades também em 2018.