A Lava-Jato em 11 países

Procuradores de 11 países em que a Odebrecht operou decidiram nesta quinta-feira estabelecer “a mais ampla, rápida e eficaz cooperação” para investigar a atuação da construtora brasileira e outros alvos da Operação Lava Jato. O encontro foi organizado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e realizado em Brasília. Dele participaram representantes do Ministério Público da Argentina, Chile, Colômbia, Equador, México, Panamá, Portugal, Peru, República Dominicana e Venezuela.

Nesta sexta, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve se reunir hoje com o seu colega da Colômbia, Néstor Humberto Martínez, para tratar da cooperação de ambos os países em relação à Lava-Jato. Existem 11 investigações abertas relacionadas à Odebrecht no país, e elas envolveriam do presidente Juan Manuel Santos ao opositor e ex-candidato à presidência, Óscar Iván Zuluaga. A ideia é que uma ação conjunta acelere e facilite os trabalhos.

Tanto na Colômbia como nos demais países, as operações começaram principalmente depois de 2003, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu, e seguiram até o começo da Lava-Jato, em 2014. Desses países, o Peru é o que está mais adiantado nas investigações. O ex-presidente Alejandro Toledo tem um mandado de prisão em aberto e estaria foragido nos Estados Unidos. Além da Colômbia e do Peru, as propinas teriam chegado ao alto escalão de outros governos. Na Argentina, os escândalos vão a assessores tanto do atual presidente, Maurício Macri, como da ex, Cristina Kirchner. No Panamá, ao irmão do ex-presidente Ricardo Martinelli.

A construtora Odebrecht é a principal pagadora de propinas por meio de seu “setor de operações estruturadas”. São mais de 800 depoimentos para serem destrinchados em cada um dos países latino-americanos – em breve, países como Angola, Moçambique e Guatemala podem entrar no grupo. Na quarta, Janot se reuniu com Temer para pedir celeridade ao Ministério da Justiça na assinatura do acordo com o MP da Suíça. Procuradores brasileiros enxergam a demora para aprovação como uma tentativa de travar a Lava-Jato. Os próximos meses devem ser de muito trabalho para os investigadores. E não só no Brasil.