A escalada de violência pelo Brasil

Está programada para esta quarta-feira uma reunião de definição do Plano Nacional de Segurança comandada pelo ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, com núcleos formados pelas Secretarias de Segurança de alguns Estados. O ministro chegou a indicar que o plano seria lançado hoje, mas gerou desconforto na cúpula do governo, uma vez que o presidente Michel Temer está viajando e não participaria da inauguração. A cerimônia ficou para acontecer em, no máximo, três semanas, diz Moraes.

O debate sobre segurança vem em momento urgente. Uma semana depois do pedido de demissão de José Mariano Beltrame, titular da pasta no Rio de Janeiro, o país assiste a uma escalada do confronto entre facções criminosas cariocas e paulistas. Desde segunda, cresce o conflito entre o Comando Vermelho e o paulista Primeiro Comando da Capital (PCC), resultando em 18 mortes e rebeliões em presídios longe de suas bases, em Rondônia e Roraima.

Tudo começou em Roraima, quando integrantes do PCC invadiram a ala em que estavam prisioneiros do Comando Vermelho e assassinaram um dos líderes do grupo carioca. Foram 10 mortes no conflito. Presos de Rondônia, ao saberem do ocorrido, também se enfrentaram – ali morreram mais oito.

As organizações criminosas viviam em um pacto de paz para a compra de drogas e armas em regiões de fronteira, além de proteção de seus integrantes em prisões controladas pelos grupos. Os motivos para a ruptura ainda são incertos para as autoridades, mas o ministro já considera a situação gravíssima. Segundo a pesquisadora Camila Nunes Dias, professora da Universidade Federal do ABC (UFABC), em entrevista à BBC Brasil, a relação é sensível desde julho e a guerra entre elas pode gerar uma carnificina em presídios Brasil afora.

Para a população em geral, os efeitos são sabidos. Há 10 anos, o PCC aterrorizou São Paulo depois de a Secretaria de Administração Penitenciária transferir presos por risco de rebelião no dia das Mães. Um deles foi o líder do PCC, Marcos Willians Herba Camacho, o Marcola, removido para prisão onde não havia contato telefônico. Mais de 200 ataques foram orquestrados, majoritariamente a ônibus, policiais e postos da PM, com cerca de 90 mortos. Dessa vez, é preciso trabalhar para que o terror não se espalhe. Acelerar o Plano Nacional de Segurança já é um bom começo.