57 pessoas são recolhidas no RJ em operação contra o crack

As equipes intensificaram as buscas na área do Mercadão de Madureira, além da comunidade do Cajueiro

Rio de Janeiro – Uma operação para a retirada de dependentes químicos, principalmente usuários de crack, das ruas de Madureira, bairro da zona norte da capital fluminense, acolheu hoje (13) 57 pessoas, entre elas um adolescente de 17 anos. A ação foi feita pela Secretaria Municipal de Assistência Social com o apoio da Polícia Militar.

As equipes intensificaram as buscas na área do Mercadão de Madureira, além da comunidade do Cajueiro. Com os usuários de drogas foram apreendidas muitas facas e canivetes. Os adultos acolhidos serão encaminhados para a Unidade Municipal de Reinserção Social, em Paciência, após passarem por um processo de identificação na polícia.

De acordo com a secretaria, em pouco mais de um ano, a comunidade do Cajueiro, onde foi registrado o maior número de acolhidos na operação de hoje, já recebeu oito ações de repressão ao consumo do entorpecente. Para o coordenador da operação, Cláudio Reis, pode estar acontecendo um movimento migratório dos usuários de crack para áreas com cracolândias menos conhecidas.

Ele atribui o problema às constantes operações feitas nas cracolândias das favelas de Manguinhos e Jacarezinho e à inusitada proibição da venda da droga nestas áreas por parte dos próprios traficantes. “Jacarezinho e Manguinhos [tem sido alvos de várias operações], então isso prejudica o “trabalho” deles [traficantes]. Talvez, por causa disso, [os usuários de crack] estão indo para outras áreas”, explicou.

Outro problema citado por Reis é o da reincidência. Ele considera que o retorno dos dependentes químicos às cracolândias é mais um desafio na luta contra a droga. Ele acredita que a reincidência dos dependentes ocorre porque não existe uma legislação que obrigue o usuário a ficar em tratamento.

“Ele [o usuário] usa o livre arbítrio de ficar ou não, mas não quer dizer que nos abrigos não tenham um número grande de pessoas que quiseram ficar. Então elas estão nos abrigos ou em qualquer outro lugar para se tratar”, disse.