Os (verdadeiros) perfis de investidor

No universo dos investimentos, costuma-se classificar os investidores em três categorias básicas. Mas, na verdade, existem pelo menos seis...

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Como o leitor já deve saber, existem três perfis básicos de investidor (ou “perfis de risco”): O conservador, o moderado e o agressivo.

A definição desses perfis é altamente relacionada àquilo que chamamos de “tripé dos investimentos”, que são os três fatores “fundamentais” utilizados na análise de um investimento: A Liquidez, a segurança e a rentabilidade (sempre lembrando que a liquidez está associada à disponibilidade do dinheiro; a segurança, ao risco; e a rentabilidade, ao retorno potencial).

A “pegadinha” desses três fatores é que eles nunca estão presentes, em altos níveis, ao mesmo tempo (isso está associado à “lei da oferta e da demanda”). Ou seja, um investidor, no seu processo de decisão, sempre precisará abrir mão de pelo menos um desses fatores.

Então, presume-se que o investidor conservador é aquele que prioriza liquidez e segurança, abrindo, assim, mão de um retorno maior. O moderado aceita um pouco mais de risco, abrindo um pouco mais mão de liquidez e segurança, em favor de um retorno potencial um pouco maior. Já o agressivo é aquele que prioriza o retorno. No caso do investidor agressivo, geralmente se presume que é um investidor mais experiente, com mais dinheiro (então, pode abrir mão de liquidez imediata) e que tem uma maior tolerância a perdas (o investidor agressivo encara perdas como “percalços” rumo a um objetivo maior no futuro).

Esses são os perfis básicos. Aqueles que sempre aparecem na literatura e nos famosos “testes de suitability” das instituições financeiras.

Porém, existem pelo menos seis perfis diferentes. Abaixo do conservador, podemos dizer que existe o “superconservador”. O perfil superconservador é uma coisa que veio do universo dos fundos de pensão, e tem uma história muito curiosa: Esse perfil foi definido num período de alguns anos, quando as taxas de juros caíram bastante e os títulos prefixados (ou indexados à inflação, que se comportam de maneira similar) apresentaram grande volatilidade, “assustando” investidores menos experientes. Isso levou esses fundos a criarem perfis “ainda mais conservadores que o conservador”, com carteiras que sejam compostas, majoritaria ou integralmente, de títulos pós-fixados “puros”, como aqueles ligados à Selic ou ao CDI.

Abaixo do “superconservador”, ainda é possível encontrar um outro perfil. Um perfil que eu defino como “medroso mórbido”, que é aquele sujeito que tem tanto medo de perder dinheiro que sequer investe – guarda tudo “debaixo do colchão” (ou vai para a Caderneta de Poupança e afins). É aquele investidor que tem medo “até da própria sombra”.

E, na outra extremidade, acima do agressivo, temos o “investidor maluco”. Aquele que, ao contrário do agressivo, não tem consciência dos riscos que está correndo e age como um jogador em um cassino. É o caso do infame “trader de Facebook”… Aquele indivíduo que entra em grupos de trading nas redes sociais e fica perguntando “qual é a dica do dia”…

Então, pela ordem (do mais agressivo para o menos agressivo), os seis perfis de investidor são:

– Maluco

– Agressivo

– Moderado

– Conservador

– Superconservador

– Medroso mórbido

De todos esses perfis, o mais interessante é, talvez, o “medroso mórbido”. Ele tem tanto medo, mas TANTO MEDO de perder dinheiro que, ironicamente, é o único que perde com 100% de certeza, pois ele deixa dinheiro parado ou em investimentos ruins (como a Caderneta de Poupança) e acaba perdendo para a inflação.

No caso do medroso mórbido, a perda não é um risco: É um fato consumado. Até o “investidor maluco”, de vez enquanto, acerta… Mas o medroso mórbido perde sempre.

É a prova final de que riscos não se evitam (eles são, no máximo, “gerenciados”). Tentar “se blindar” completamente contra riscos é contraproducente e, no final, só faz com que percamos dinheiro de todo jeito.

Obviamente, não precisa ser “maluco” com o dinheiro, mas é preciso ter consciência de que “algum risco” sempre vai ter…

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