Investimentos – A importância de não “surtar” em crises

Crises fazem parte da vida do investidor. Mas algumas atitudes (e estratégias) ajudam a "segurar" as oscilações emocionais.

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O Brasil vem passando, nos últimos anos, por um processo chamado “financeirização”. Não vou entrar em pormenores aqui (até porque eu já publiquei, em 2014, um artigo neste blog falando sobre isso, chamado “Entendendo a ‘financeirização’” – clique no link para ler), mas, em poucas palavras, é um processo onde a complexidade financeira de nosso ambiente aumenta e questões financeiras mais ou menos complexas começam a permear o nosso dia a dia.

Um dos efeitos da financeirização é que estamos mais expostos a eventos que, em outras épocas, só eram sentidos de forma direta por grandes investidores. Quando os investimentos das pessoas comuns se restringiam à dupla poupança/imóveis, grandes choques na economia eram sentidos de forma amortecida (a exceção e “menção honrosa” é a hiperinflação dos anos 80 e 90 – essa pegou todo mundo…).

Mas, dos últimos anos para cá, pequenos investidores têm sentido bem mais “na pele” os eventos que afetam o mercado financeiro. Desde a crise do subprime em 2008 (que, em seus primeiros dias, teve dias de absoluto pânico, com múltiplos acionamentos de circuit breaker), até coisas mais recentes como o infame “Joesley Day” e, mais recentemente ainda, o caos causado pela greve dos caminhoneiros (e os eventos que se seguiram, particularmente com relação à Petrobrás).

O ponto é que poucos brasileiros investem dinheiro, mas aqueles que investem estão, cada vez mais, “sofisticando” a carteira, com títulos públicos de longo prazo, fundos de perfil mais agressivo, ações, fundos imobiliários e outros instrumentos que não eram tão acessíveis para pessoas comuns poucas décadas atrás.

Com a sofisticação, vem a volatilidade, e somem-se a isso as recentes reduções (expressivas) dos juros, que estão tirando o brasileiro da zona de conforto da renda fixa e demolindo (aparentemente em definitivo) a ideia de que “dá para tirar 1% ao mês na moleza”.

Crises como essa fazem parte de nosso processo de amadurecimento como investidores e (não se iluda!) coisas similares (ou piores) vão acontecer no futuro. Simplesmente “faz parte”…

E não adianta tentar fazer “leitura” do mercado. Às vezes, em tempos turbulentos, podemos adotar estratégias de investimentos mais defensivas. Porém, a turbulência pode vir sem avisar (o famoso “cisne negro”).

Então, para tentar aliviar um pouco o pânico e a ansiedade, eu gostaria de colocar aqui alguns pontos para reflexão:

– Vai investir em ações? Não invista em “ações”, e sim em “carteiras”. Parece óbvio, mas muita gente ainda torce o nariz para a velha e boa diversificação e acha que é coisa de gente “fraca”;

– Na dúvida, vá de ETF. Como uma vez ouvi de um autor americano, “investir em ETFs de índices amplos é ‘apostar na civilização’”;

– Se você usa mecanismos de limitação de perdas (como stop loss), respeite. Se o mercado já abrir caindo mais de 10% logo de cara, paciência… Cenários assim precisam fazer parte da estratégia;

– Títulos públicos: São o “porto seguro”. E lembre-se de que, se chegarmos ao ponto de ter um calote na dívida interna (que é baseada em reais, uma moeda que, tecnicamente, não tem “lastro”) é porque, realmente, está acontecendo algo próximo de um “apocalipse zumbi”;

– Para finalizar, lembre-se de que é “apenas dinheiro”. Se um dia chegarmos numa situação tão caótica, em escala nacional ou global, em que os próprios alicerces da sociedade fiquem comprometidos (cenário “apocalipse zumbi”, guerra mundial ou algo do gênero), muito provavelmente você vai começar a se preocupar menos com o dinheiro e mais com a própria vida…

Então, faça o que tiver que ser feito para defender seus investimentos, mas não “surte” por causa deles. Às vezes, tudo o que se precisa é de uma boa estratégia (de longo prazo e “não reativa”) e de um pouco de tempo para as coisas voltarem ao normal.

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