Por qual ângulo você olha os desafios do seu dia a dia?

É importante ter estratégia em qualquer decisão da carreira, das mais simples às mais complexas

Outro dia fui a uma reunião e notei que o estacionamento do prédio estava com uma lotação diferente da habitual. Comentei a situação com o manobrista. Ele me explicou que no local estava acontecendo uma série de eventos e fez algumas reclamações sobre o fato, dando a entender que preferia quando o volume de serviço era menor.

Eu não conheço o rapaz nem a rotina dele, e também não sei se o descontentamento que notei tem fundamento. Meu foco não é criticá-lo. A questão é que, enquanto eu me dirigia para a sala do encontro, fiquei pensando na importância de treinarmos nossa visão 360 graus sobre os desafios que se apresentam diante de nós durante a carreira.

No lugar do manobrista, por exemplo, eu teria feito, pelo menos, cinco considerações. No meu entender, elas são válidas para profissionais de todos os níveis hierárquicos.

  1. Tem mais trabalho, então minha função continuará sendo necessária. Terei mais garantias de ficar empregado, ter aumento salarial ou, quem sabe, ser promovido. 
  2. Com a empresa prosperando, será que a direção pode decidir modernizar algo nos processos da minha função? Como eu posso me antecipar a essa necessidade e melhorar minha qualificação?
  3. Caso eu comece a não dar conta do trabalho com qualidade, vou reunir fatos e dados para conversar com meu gestor e entender quais são as chances de aumentarmos a equipe.
  4. Independentemente do cenário, enquanto eu estiver nessa função vou me esforçar para executar meu trabalho com qualidade e me destacar entre os demais profissionais. Assim, serei cada vez melhor no que faço.
  5. Se acontecer de eu ter certeza de que não estou sendo valorizado como deveria, com base na minha experiência, nos meus resultados de qualidade, nas qualificações que adquiri e nos bons relacionamentos que construí, vou em busca de outra oportunidade que considere melhor.

Veja que não se trata de viver no “mundo de Poliana”, apenas olhando o lado mais colorido das situações. O que eu listei foram pensamentos lógicos que vão permitir que eu tome decisões conscientes na carreira, pensando sempre com a cabeça e não com o estômago, ou seja, sem impulsividade.

Aqui neste Blog, você encontra outros artigos sobre carreira, gestão e mercado de trabalho. Também é possível ter mais informações sobre os temas na Central do Conhecimento do site da Robert Half.

* Fernando Mantovani é diretor geral da Robert Half