Falta de qualificação ou aumento das exigências?

Será que as pessoas que estão disponíveis no mercado têm as skills buscadas pelas empresas? E as empresas, estão sabendo valorizá-las?

Desde agosto do ano passado a gente vem notando uma retomada do otimismo dos recrutadores brasileiros. De acordo com o Índice de Confiança Robert Half, esse otimismo vem crescendo trimestre a trimestre, o que pode indicar um aumento nas contratações e uma corrida por bons profissionais.

Com mais de 12 anos de experiência na área de recrutamento e seleção, costumo dizer que em épocas assim, quando as empresas começam a vislumbrar um horizonte mais otimista, não dá para ficar parado, pois as chances de perder bons profissionais para o mercado aumentam. Muitos questionam, no entanto, como a gente pode falar em disputa por talentos, corrida por bons profissionais, quando a taxa de desemprego do País está em torno de 12% (segundo a última PNAD trimestral disponível). Vale lembrar que, se considerarmos apenas os profissionais com 25 anos ou mais e com ensino superior completo, essa taxa cai para 5,7%, ou seja, quanto maior a qualificação, menor o desemprego.

Agora lanço uma questão: será que as pessoas que estão disponíveis no mercado têm as skills – sejam técnicas ou comportamentais – buscadas pelas empresas? De acordo com pesquisa da Robert Half com 300 executivos brasileiros, 76% dizem que é muito desafiador encontrar profissionais qualificados hoje em dia.

Aí coloco mais uma questão: diante desta constatação, será que as empresas estão sabendo reconhecer e valorizar um bom profissional? Muitas vezes eles até encontram excelentes candidatos, mas as exigências buscadas não condizem com o salário ofertado, com a função a ser cumprida, o que inibe a contratação de grandes talentos, que sabem que valem mais do que o que está sendo oferecido. É fato que os salários não têm sofrido grandes reajuste e que quem está no mercado pode, sim, ser contratado por uma remuneração menor do que a última recebida. Mas é preciso ser coerente e a oferta deve estar compatível com o que se espera do profissional. Já falei algumas vezes e repito: não é possível contratar o Batman pelo preço do Robin.

Existe solução?

Acredito que essa seja a pergunta de um milhão de dólares e seria muita pretensão minha achar que eu teria a resposta para resolver esse impasse. No entanto, posso, sim, indicar alguns importantes passos.

Para profissionais

A dica vale para quem está empregado, quem está desempregado, quem busca uma movimentação, uma promoção e também para quem visa, apenas, se manter no emprego atual: atualize-se. Pode ser uma especialização de curta ou longa duração, um curso de idiomas, ensino à distância, não importa. O que importa é estar de acordo com o que sua carreira e a posição almejada está demandando. Uma pós-graduação pode ser uma excelente oportunidade de aumentar seus conhecimentos técnicos em determinada área, mas como está o seu inglês? Será que não é melhor focar no idioma antes de apostar em uma pós? Vale avaliar. Quer gerenciar equipe, mas não sabe delegar? Que tal investir em habilidades comportamentais e ampliar seus conhecimentos em liderança?

Esteja de olho em o que acontece a sua volta e busque estar sempre atualizado, de acordo com o que o mercado está esperando.

Para recrutadores

A primeira providência é entender qual o perfil que se deseja contratar. Se o objetivo for uma substituição, deve-se aproveitar essa lacuna na equipe para trazer um profissional que não apenas substitua aquele que deixou a empresa, mas que possa também trazer novas competências e agregar valor. Se a ideia é aumentar o quadro – o que a gente já começa a perceber com a retomada do otimismo – vale entender exatamente o que se espera do profissional e qual é a estratégia por trás dessa contratação. Para ambos os casos, é preciso compor um pacote de remuneração que seja compatível com esse perfil, para não gerar frustração em nenhum dos lados.

É importante dedicar tempo e planejamento para um processo de recrutamento ter sucesso. Além do alinhamento entre perfil e vaga, é preciso atenção e respeito às etapas estabelecidas, cumprimento dos prazos acordados, feedbacks transparentes e comunicação clara. Junto com as questões técnicas, faz-se necessário ainda avaliar a sinergia do futuro empregado com o restante da equipe. Cuidados como esses contribuirão para maior agilidade e efetividade da contratação.

Esse tema rende ainda muitas discussões. Quero saber a sua opinião: faltam profissionais qualificados ou as empresas também têm sua parcela de culpa?

* Fernando Mantovani é diretor geral da Robert Half

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  1. É uma questão de grande interesse público acredito eu, que me deixa enquizilar, tirando conclusões minha e ao meu ver, eu faço uma pergunta bem próxima a está ou mesmo paralela, já que o incentivo é que todos se qualifiquem, por que ao percorrermos esse caminho podemos encontrar respostas ao contrário do esperado, ou seja do que seria o óbvio, o êxito na busca por uma colocação melhor no mercado, ou até mesmo uma colocação. Um exemplo simples, irei expor meu caso, fui vendedora por mais de 15 anos, porém decidi há 5 anos atrás que precisava estudar, sendo meio tardio, porém saí da zona de conforto e ingressei em uma faculdade, dando início em bacharelado em engenharia civil, uma área totalmente imperita, á empresa que eu me encontrava naquele momento momento por mais que incentivasse seus funcionários a estudar, não dava total liberdade de escolhas a esses, como minha opção saiu totalmente do foco no qual eles requeriam, depois de um tempo fui dispensada, ao bater em outras portas, eu não me encaixava mais no perfil das empresas, lembrando que experiência apenas em vendas e estudando engenharia, não me contratavam para área de vendas porque eu estudava algo incompatível, na área de engenharia também não obtive triunfo, acredito eu que 1° eu sou mulher, 2° não tenho experiência na área, 3° temos o conjunto crise. Não me acomodei e agreguei alguns cursos, tanto na área que se refere a minha graduação, como na área administrativa, enfim, me encontro a caminho do 10° semestre de Eng. porém as portas continuam fechadas e nada mudou, faço entrevistas e me candidato a diversos tipos de vagas e até o momento não encontrei a resposta, já que tenho essa questão em comum, no meu caso acredito que não seja falta de qualificação, ao meu ver, hoje se tem sobrando para diversas áreas, mas podemos dizer que a crise fez com que as empresas optou por funcionários menos qualificados e multifuncionais, podendo assim reduzir gastos (salários), se adaptando a nova realidade, no qual veio a deixar muitos profissionais qualificados a deriva.

  2. Thais Cris 28 jun 2018 – 01h14
    É uma questão de grande interesse público acredito eu, que me deixa enquizilar, tirando conclusões minha e ao meu ver, eu faço uma pergunta bem próxima a está ou mesmo paralela, já que o incentivo é que todos se qualifiquem, por que ao percorrermos esse caminho podemos encontrar respostas ao contrário do esperado, ou seja do que seria o óbvio, o êxito na busca por uma colocação melhor no mercado, ou até mesmo uma colocação. Um exemplo simples, irei expor meu caso, fui vendedora por mais de 15 anos, porém decidi há 5 anos atrás que precisava estudar, sendo meio tardio, porém saí da zona de conforto e ingressei em uma faculdade, dando início em bacharelado em engenharia civil, uma área totalmente imperita, á empresa que eu me encontrava naquele momento momento por mais que incentivasse seus funcionários a estudar, não dava total liberdade de escolhas a esses, como minha opção saiu totalmente do foco no qual eles requeriam, depois de um tempo fui dispensada, ao bater em outras portas, eu não me encaixava mais no perfil das empresas, lembrando que experiência apenas em vendas e estudando engenharia, não me contratavam para área de vendas porque eu estudava algo incompatível, na área de engenharia também não obtive triunfo, acredito eu que 1° eu sou mulher, 2° não tenho experiência na área, 3° temos o conjunto crise. Não me acomodei e agreguei alguns cursos, tanto na área que se refere a minha graduação, como na área administrativa, enfim, me encontro a caminho do 10° semestre de Eng. porém as portas continuam fechadas e nada mudou, faço entrevistas e me candidato a diversos tipos de vagas e até o momento não encontrei a resposta, já que tenho essa questão em comum, no meu caso acredito que não seja falta de qualificação, ao meu ver, hoje se tem sobrando para diversas áreas, mas podemos dizer que a crise fez com que as empresas optou por funcionários menos qualificados e multifuncionais, podendo assim reduzir gastos (salários), se adaptando a nova realidade, no qual veio a deixar muitos profissionais qualificados a deriva.