PSL, Bolsonaros e a banalidade da má negociação

A ridícula confusão instalada no partido pode afetar a sequência das reformas do país

Nossos dois últimos presidentes eleitos não têm boas relações com seus partidos políticos. Dilma Rousseff (PT) foi escolhida por Lula como sucessora, em 2010, e depois quis a reeleição à revelia de seu partido, sem discussão interna. Jair Bolsonaro (PSL) aparentemente havia tomado conta do partido, mas não contava com a resistência de Luciano Bivar, um cacique de nanicos.

Dilma teve paz no PT não com habilidade, mas porque os outros líderes do partido tinham muito a perder com seu enfraquecimento. A marca petista importa. Sair do PT e tentar a sorte em um PSOL (ou MDB, se você for Marta Suplicy) é arriscadíssimo. Não deu certo para ninguém. O partido sobreviveu ao desastre da presidenta e terá vida mesmo após a aposentadoria de Lula, que hoje sufoca seus correligionários.

O clã Bolsonaro não tem a mesma sorte. Estão diante de um dilema complicado até para Cunhas. Se saírem do PSL, levarão consigo apenas metade da bancada de 53 deputados federais e não terão os R$ 359 milhões do fundo eleitoral e partidário para as eleições municipais. Caso fiquem, terão de dividir poder com a turma de Bivar, que aumenta a cada dia, e admitir que não têm força política fora do Twitter nem para administrar um PSL – mesmo tendo a presidência da República!

Por enquanto, as consequências dessa disputa dentro do partido são péssimas para o país. Em primeiro lugar, porque quanto mais se fala do Delegado Waldir (líder na Câmara dos Deputados) menos lembramos de desastres ambientais. E sobretudo porque mais do que nunca será Rodrigo Maia (DEM) o capitão da agenda legislativa. A sintonia entre o agenda setter no Legislativo e o presidente – que permite o sucesso de coalizões presidencialistas heterogêneas – já é fraca e logo deixará de existir. Se Maia quiser, como já indicou, a Reforma Administrativa antes da Tributária, assim será. Não importa mais o que pensa o presidente – que, com todos os seus defeitos e limitações, foi eleito para comandar a agenda pública.