O Senado vai permitir a nomeação nepotista de Eduardo Bolsonaro?

A nomeação nepotista do presidente poderá envergonhar o país e dificultar as relações com os Estados Unidos

A possível nomeação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL) para comandar a embaixada brasileira nos Estados Unidos não chega a surpreender. Assim como muitos brasileiros, nosso presidente não confia em instituições. Convive, sim, de maneira relativamente amena com elas até agora. Mas delas não extrai o que poderia encontrar de melhor: um atalho para estabelecer relações de confiança e facilitar a ação coletiva para, por exemplo, aprovar leis. Bolsonaro trata isso com desdém. Prefere jogar em casa, usando os filhos, e na caserna, com os militares (ainda que em medida bem menor do que se imaginava no ano passado).

Se a indicação de Ernesto Araújo para o Ministério das Relações Exteriores já foi algo heterodoxo, colocar o filho em uma posição de destaque nesta área pode ser temerário. Em primeiro lugar, porque a adesão às posições de Donald Trump pode se tornar tóxica caso ele não seja reeleito em novembro de 2020. Além disso, como apontou Octavio Amorim Neto hoje no Valor Econômico, os norte-americanos respeitam quem se respeita. Não é o caso aqui.

Uma escolha nepotista do presidente terá, segundo o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (DEM), pouca dificuldade para ser aceita pelos parlamentares. Embaixadores precisam de aprovação dos senadores, primeiro na Comissão de Relações Exteriores e depois no plenário. A votação é secreta. Isso fará com que todo o Senado arque com o ônus de nomear alguém incapaz para a embaixada brasileira nos Estados Unidos. Caso o presidente esteja mesmo falando sério, o processo deverá ocorrer antes da votação da Reforma da Previdência – e será o primeiro grande teste do governo entre os senadores.

Triste pensar que o cargo já foi de gente do estirpe de Walther Moreira Salles, Roberto Abdenur, Rubens Ricupero e Roberto Campos… Saudades do Século XX.