O lado bom da briga tosca no PSL

Poucas vezes uma luta interna por poder partidário foi tão transparente quanto a protagonizada por Carla Zambelli e seus colegas

O deputado federal Sérgio Souza (MDB) recebeu com surpresa, segundo seu perfil no Facebook, os policiais federais que visitaram seu gabinete e outros endereços em busca de provas sobre atos corruptos.

Souza foi relator da CPI dos Fundos de Pensão em 2015 e, nesta posição, teria recebido R$ 3 milhões de propina para não convocar ex-presidentes de fundo de pensão como o Petros e o Postalis. A página do MDB na mesma rede social não diz nada sobre o caso.

Nota-se a diferença do MDB com a PSL. Não necessariamente pela corrupção, pois o PSL tem (supostos) laranjas e (supostos) assessores que comandavam esquemas a pedido de parlamentares. Mas o partido de Jair Bolsonaro está sendo mais transparente do que qualquer outro nos últimos dias.

A briga pela liderança do PSL na Câmara dos Deputados dividiu a sigla entre “bivaristas” e “bolsonaristas”. O mais fiel ao presidente da organização, Luciano Bivar, é o ex-líder Delegado Waldir – que conta também com o apoio de Joice Hasselmann.

Nesta segunda-feira, Waldir decidiu abandonar o cargo na Câmara. A incessante troca de acusações pelo Twitter e Facebook entre ele e Eduardo Bolsonaro mostrou que sua posição é inviável. Colocar Eduardo como líder também é estranho, pois a bancada está muito dividida. E como é possível saber disso?

Bem, os comentários da deputada federal Carla Zambelli em fotos de Hasselmann no Instagram mostram bem a animosidade interna. Em uma selfie da colega tirada em um shopping, Zambelli comentou: “Tem uma criança caindo da escada lá atrás de vc. Não vai ajudar, não? Ah, sim… está mais preocupada com o cabelo”.

Pode parecer bobagem, mas é melhor sabermos que as deputadas estão em lados opostos do que não fazermos ideia se Sérgio Souza é unanimidade no MDB ou odiado pelos correligionários. Será que ele corre risco de afastamento ou expulsão? Impossível saber, pois o MDB não é transparente. São profissionais da política. A transparência do PSL, que mostra parlamentares infantis e mesquinhos, é uma virtude inesperada do amadorismo.