Marcelo Crivella pertence à Idade Média

Ninguém tem o direito, em 2019, de se ofender com um beijo entre dois homens – muito menos querer censurar

O prefeito Marcelo Crivella (PRB) se ofendeu com uma história em quadrinhos que mostra dois personagens masculinos se beijando. Mandou para a Bienal do Livro no Rio de Janeiro uma equipe da prefeitura para averiguar a venda do gibi. Lá o coronel Wolney Dias, subsecretário de operações da Secretaria Municipal de Ordem Pública, foi fazer não se sabe bem o quê. Proibir a venda do gibi para menores de idade seria absolutamente inconstitucional. São dois homens se beijando. Por que o prefeito se sente ameaçado por isso?

Crivella disse, em suas redes sociais, que o gibi exibe “conteúdo sexual para menores”. Não me cabe especular sobre a vida amorosa do prefeito, mas beijo na boca é, no máximo, preliminar. Se o prefeito considera “impróprio” um desenho de dois homens se beijando, o que faria caso visse a cena pessoalmente? Xingaria? Mandaria prender? Encheria helicópteros com gasolina e rifles para sobrevoar o carnaval?

O que fez já é totalmente absurdo. Usou a Secretaria de Ordem Pública para fiscalizar a venda de gibis e livros. Esta secretaria, segundo seu próprio site, deveria ser responsável por “formular e implementar políticas públicas que garantam a manutenção da ordem urbana e a integração da prefeitura com todas as forças de segurança pública”. Trabalho no Rio de Janeiro não falta.

Resta esperar que os vereadores questionem e punam, de alguma maneira, o prefeito e seus burocratas por um dos episódios mais vergonhosos da política carioca nos últimos anos.