Ilona Szabó e a incivilidade na política

Por um dia, co-fundadora do Instituto Igarapé foi nomeada por Moro como membro do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária

Quando Ilona Szabó, do Instituto Igarapé, foi convidada por Sérgio Moro para ser membro suplente do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, procurei outras notícias para me informar sobre o dia em Brasília. Haveria temas menos mundanos sobre os quais escrever. Talvez algum tweet de Carlos Bolsonaro ironizando jornalistas. Ou uma leva de demissões, no Ibama, pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles (Novo). Afinal, Szabó é uma renomada especialista em segurança pública. Seu mestrado não é fake. Publicou, ano passado, um bom livro sobre o assunto. Estranho, na verdade, é ser membro suplente do conselho desimportante.

A escolha durou um dia. A nomeação foi duramente atacada por bolsonaristas histéricos que dizem amar política, mas têm menos capacidade de diálogo do que turistas belgas em Copacabana. Renan Santos, coordenador do Movimento Brasil Livre, perguntou se “vão tirar a retardada de lá”. Bolsonaro e Moro atenderam. Com “escusas” respeitosas, após a “repercussão negativa em alguns segmentos”, o governo corajosamente mostrou sua fraqueza.

Segundo a cientista política Emily Sydnor, a falta de civilidade no debate público nem sempre é ruim. Apatia faz mal para a democracia. Discursos agressivos podem ser parte importante do jogo político. Civilidade demais acaba mascarando discordâncias que podem ser expressadas sem agressividade. Mas talvez a virulência do movimento que posava com Eduardo Cunha (MDB) afaste simpatizantes potenciais do governo.