Cortes orçamentários têm mesmo impacto político?

Novo estudo mostra que cortes de gastos afetam menos a popularidade dos governantes do que se imaginava

Alexandre Frota (PSL) está decepcionado com Jair Bolsonaro (PSL). Em entrevista à “Veja”, o deputado federal cuja existência deixa Merval Pereira indignado reclamou que o presidente diz, agora, topar um segundo mandato à frente do país. Deve ter pegado gosto pelo poder, pensa Frota.

Há um impeditivo ao futuro sucesso eleitoral de Bolsonaro: os cortes orçamentários que seu governo está sendo obrigado a fazer para não estourar os limites fiscais estabelecidos na legislação. Bloquear dinheiro de algumas políticas públicas – como bolsas de pesquisa para antropólogos, sociólogos e cientistas políticos – vem naturalmente para Bolsonaro e seus apoiadores mais radicais. Mas diminuir dinheiro para educação básica? Construção e reparo de rodovias federais? Isso pega mal para qualquer governante.

Mas não vivemos tempos normais. É possível, argumentam Eric Arias e David Stasavage, que cidadãos compreendam as limitações orçamentárias do sistema político e não culpem os eleitos pelos cortes em políticas públicas. Estudando 32 países entre 1870 e 2011, os autores mostram que austeridade fiscal não atrapalha a reeleição. (O artigo “How Large Are the Political Costs of Fiscal Austerity?” foi publicado há poucos dias no Journal of Politics.)

Uma das explicações para o fenômeno é que, em países como os Estados Unidos, com razoável grau de identificação partidária, simpatizantes do Partido Republicano encontrarão qualquer explicação para a eliminação de políticas públicas que gostam – exceto responsabilizar o presidente do partido que gostam. Topariam até aumentar impostos, pois culpariam governos anteriores – ou o Legislativo – pelo quadro orçamentário.

Assim conseguimos entender até manifestação popular a favor da CPMF.