Como o Brasil pode ter professores melhores?

Estudos mostram que a qualidade dos profissionais varia muito e afeta diretamente a renda futura dos alunos

Pouca coisa é mais antipática no Dia do Professor, comemorado nesta terça-feira, do que relativizar, de alguma maneira, o impacto desses profissionais para o desenvolvimento do país. Não farei exatamente isso, mas quase. Se professores são tão importantes assim, será que ter aula com qualquer um dá na mesma? Ou a qualidade relativa dos profissionais faz muita diferença? Saber isso é fundamental para melhorar o desempenho educacional dos cidadãos. Afinal, se a ciência mostrar, por exemplo, que diversidade racial nas escolas importa mais do que os professores para o futuro dos alunos, legisladores terão motivos para ignorar o corporativismo desses profissionais e analisar outras soluções.

Felizmente, diversos estudos de um dos maiores economistas do mundo, Raj Chetty (Harvard), mostram que professores são importantes de um modo bastante direto. Sendo bastante prático, podemos medir a “qualidade” de um aluno a partir da sua nota em testes padronizados – como o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Se a turma do professor X vai melhor na prova do que a do professor Y, diz-se que o indivíduo X tem “valor agregado” (VA) mais alto – um jeito mais técnico de dizer que um é “bom” e outro é “ruim”. A conclusão de Chetty e co-autores é que os alunos que estão na sala dos melhores professores tendem a não ter filhos quando se tornarem adolescentes, a frequentar faculdade e a ganhar mais quando adultos. Um impacto imenso. (O estudo “Measuring the Impacts of Teachers II: Teacher Value-Added and Student Outcomes in Adulthood” foi publicado por Raj Chetty, John N. Friedman e Jonah E. Rockoff na American Economic Review em 2014.)

A análise de Chetty foi feita nos Estados Unidos. No Brasil, a situação é tão precária que, conforme Carol Oliveira mostrou em Exame, quem faz faculdade consegue dobrar a renda – mesmo que não seja em uma instituição de ótima reputação. 30% dos adultos são analfabetos funcionais. Melhorar o ensino fundamental é uma óbvia constatação. Para isso, precisamos contratar professores melhores do que os que temos.

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B), aumentou para R$ 5.750 o salário dos professores do ensino médio, ante R$ 2.600 em São Paulo. O problema é que tanto os profissionais excelentes quanto os medíocres receberam aumento. Para melhorar mesmo, todos teriam que ser demitidos e refazer o concurso. A qualidade dos candidatos provavelmente aumentaria muito e, assim, o Maranhão teria professores que fariam mais diferença para o futuro dos alunos.

Será que Dino topa?