Com Lula solto, oposição poderá se organizar

Notícia não é péssima para Bolsonaro, que conta com forte apoio de antipetistas

Não poderia ser diferente. Após a decisão tomada ontem pelo Supremo Tribunal Federal, os procuradores da Operação Lava Jato foram à imprensa. Argumentam que a proibição da prisão após condenação em segunda instância “contraria o sentimento de repúdio à impunidade e o combate à corrupção no país”. Pode até ser. Mas eles perderam muito do apoio da opinião pública e o ex-presidente Lula (PT) acaba de ser solto.

Algumas semanas atrás, eu pensava que Lula não seria uma boa opção para o futuro do PT. O partido precisaria de renovação para superar o dano reputacional sofrido com a Lava Jato. Mas Fernando Haddad (PT) não tem a capacidade de mobilização e a autoridade de Lula. Ninguém na oposição tem isso – exceto a memória de Marielle Franco, vereadora do PSOL assassinada em março do ano passado.

“O Lula tá preso, babaca!”, disse Cid Gomes (PDT), brevíssimo Ministro da Educação do governo Dilma Rousseff (PT), em resposta a manifestantes pedindo o petista em evento em outubro de 2018. Agora não mais. Péssima notícia para o clã Gomes e outros pretensos líderes da oposição. E, apesar da ampla corrupção petista nos treze anos de governo, a presença física de Lula no debate político será interessante para oxigenar um pouco os ares.

E a notícia não é ruim para o governo. Jair Bolsonaro (PSL) poderá usar a volta do ex-presidente a seu favor, mobilizando o antipetismo que, em parte, determinou sua eleição. O certo é que a temperatura política irá subir e as reformas econômicas de Paulo Guedes terão oposição mais organizada no Congresso.