Os filhos da geração Star Wars

Você se lembra do Star Wars desde sempre. Só não sabe o que foi feito para que hoje, tanta gente gostasse dessa saga que nasceu há 40 anos.

Se você tem mais de 30 anos, é bastante provável que conheça Star Wars. Talvez até seja um fã da famosa franquia de George Lucas. Neste caso, seria chover no molhado dizer que a próxima quinta-feira, 17 de dezembro, é um divisor de águas para ‘mundo Sci-Fi’.

Se você não sabe do que estou falando, então vale começar por aqui

Na época em que o primeiro episódio foi lançado, eu tinha entre 7 e 9 anos. Parece um pouco estranha esta imprecisão, mas naquele tempo os filmes chegavam a demorar de alguns meses a alguns anos para chegarem a outros países. O VHS (embora já tivesse sido inventado) se tornaria algo popular somente muito tempo depois. Restavam poucas alternativas a não ser esperar que algum canal de televisão comprasse direitos de um filme internacional ou que o filme se tornasse popular ao ponto de chegar aos cinemas do mundo inteiro.

Me lembro bem: o que mais chamou minha atenção na época não foram os efeitos especiais, a história ou mesmo os personagens de outro planeta, mas o simples fato de que o filme começava no episódio IV. Com o grande sucesso do filme, George Lucas conseguiu apoio e verba para terminar a saga, que até então não tinha início. Segundo ele mesmo, não havia tecnologia no cinema disponível para o que ele queria fazer para os três primeiros episódios.

Exatos 16 anos depois, George Lucas retomou a franquia e seguiu com a produção dos episódios iniciais. Entre 1999 e 2005 foram 3 novos filmes que, se não tiveram o mesmo sucesso dos episódios lançados entre 1977 e 1983, criaram barulho suficiente para que uma nova geração de fãs se formasse.

Grandes histórias de ficção não surgem do nada. Tipicamente elas trazem alguma mensagem mais profunda ou são reedições de histórias reais, ainda que romanceadas. Se você se aprofundar um pouco na concepção de Star Wars, descobrirá que George Lucas já tinha a história pronta quando conheceu Joseph Campbell, e acabou por reescrever boa parte do texto original. Lucas utilizou como base a pesquisa de uma vida sobre mitologia que Campbell chamou de “A jornada do Herói”.

Em 2012 a Disney comprou os direitos de George Lucas e o momento crucial desta nova história deverá se desenrolar de verdade esta semana. Digo isso, pois já estão previstos dois novos filmes para 2017 e 2019. O sucesso destes próximos filmes depende, naturalmente, da aceitação do lançamento desta semana.

Minha filha mais nova que, hoje, tem 12 anos, acabou por se tornar parte desta nova geração de fãs. Em uma pesquisa informal em sua escola com 102 alunos, ela descobriu que 50% se consideravam fãs e sabiam do lançamento do filme e 50% não estavam nem aí para a história.

O que me chama a atenção é que 38 anos depois do lançamento do primeiro filme, o impacto deste lançamento junto ao público está sendo conduzido com muito cuidado e planejamento. De tudo isso, extraí alguns aprendizados sobre Relacionamento com Clientes (…e fãs) que compartilho aqui com vocês.

As visões que destaco a seguir são, naturalmente, uma opinião pessoal e podem, eventualmente, estar incompletas. Se você tem uma visão diferente, não deixe de compartilhar sua opinião. Será um prazer saber o que você, leitor, pensa a respeito.

Vejo que Star Wars se tornou uma ‘empresa à parte’. Embora a Disney tenha comprado a Lucas Films (empresa de George Lucas que detinha todos os direitos sobre Star Wars), o olhar estava focado sobre a própria franquia e não exatamente sobre o estúdio. Houve severas críticas em 2012 por parte dos primeiros fãs quando a Disney oficializou a compra da saga. Vejo, porém, que se não fosse esta ‘mudança de bastão’ Star Wars teria simplesmente terminado seus dias como um filme que marcou parte de nossa história contemporânea.

Uma empresa precisa saber o momento de se reinventar. Alguns clientes não irão gostar, principalmente os clientes mais antigos. A pergunta é: estamos respeitando nossos atuais clientes e buscando harmonizar o novo cliente que chega ou apenas querendo mais e mais clientes? A Disney vem fazendo um excelente movimento nos últimos anos nas redes sociais para aproximar o estúdio dos fãs. Como fã desde a primeira fase, posso dizer que o trabalho vem sendo bem executado. Me sinto parte de uma história que vem sendo cuidada ao longo dos anos.

Acho que, no caso da continuidade, a Disney tem mais do que habilidade para conduzir uma releitura. Aliás, foi assim que Walt Disney chegou ao sucesso com Branca de Neve e os Sete Anões simplesmente “re”contando a história dos irmãos Grimm com mais cores e movimentos! Sem dúvida: ele era um gênio!

Acho que não foi planejado, mas com estes 3 últimos episódios, a Star Wars atingirá pelo menos 3 ou 4 gerações de pessoas.

Todos nós gostamos de compartilhar momentos de alegria e crescimento com as pessoas que amamos. Às vezes é difícil conseguir tangibilizar esta experiência. Minha filha se tornou fã assistindo os filmes em casa. Há alguns anos ela pediu de Natal a saga completa em Blu-ray. Vejo que as marcas precisam migrar e adequar seus produtos a novos meios e novas apresentações ao longo do tempo. Não tanto por ‘parecer’ inovadora, mas pelo simples fato de que os clientes evoluem.

Como fã da primeira fase, às vezes desagrada ver R2D2 voando em uma época que supostamente aconteceu antes dos 3 episódios originais onde não havia sequer vídeo conferência. Mas é provável que sem esses efeitos, meus filhos jamais se encantassem pela série. Vejo que às vezes as marcas precisam tirar uma licença poética e abrir mão de algumas características pessoais importantes para se adequar a um novo tempo.

Não sei exatamente como ou quem fez o planejamento do lançamento mundial deste episódio VII da série, mas, certamente, foi uma equipe extremamente detalhista e atenciosa. Para você ter uma ideia, consegui comprar os 2 últimos ingressos da pré-estreia no cinema próximo de casa com uma antecedência de quase um mês. Saber que o filme será lançado nos Estados Unidos um dia depois do lançamento oficial no Brasil é algo realmente surpreendente!

Reconhecer que pessoas distantes tem tanto valor quanto o cliente que está próximo é uma arte. Aquele cliente que dá mais trabalho (pela distância ou pela dificuldade de atendimento), talvez seja o que valorize a sua marca ainda mais por estes desafios.

Relacionamento significa criar algum tipo de tensão positiva. Saber valorizar seu próprio passe e integrar os clientes ao longo do tempo enquanto a história se constrói.

Criar, contar ou recontar histórias são uma parte vital de nossa humanidade. Aliás, se você ainda não leu, vale dar uma passada no artigo do Marcio da semana passada e assistir os vídeos. Simplesmente sensacional.

Boa parte das empresas hoje reconhece a necessidade de contar histórias e nesse sentido algumas chegaram até a fabricar uma história fictícia apenas para tentar criar um elo de ligação com seus clientes (o que não me parece um bom caminho). Acredito que esse movimento acontece de uma forma natural. A história se desenrola enquanto se caminha. É necessário apenas disponibilidade para se caminhar.

Ah, e se você é fá e ainda não viu o trailer (o que é bastante improvável), aí vai o link.

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