No que estamos nos transformando?

Atualmente com tanta facilidade para o consumo, como se estabelecerá o relacionamento com o cliente daqui em diante? Qual o papel das empresas em tudo isso?

Você já assistiu aquela animação chamada Wall-E, que contava a história de um robô de reciclagem que havia sido deixado na Terra, em uma era onde o planeta havia sido abandonado por conta da poluição? Se assistiu, provavelmente se lembrará dos humanos que haviam sobrado vivendo em uma nave espacial de forma totalmente sedentária. E um sedentarismo facilitado em muito pelo grande uso da tecnologia naquele ambiente.

Quando assisti o filme a primeira vez, em 2008, achei bem exagerado esta forma de vida, mas ok. Afinal, era apenas um desenho e fazia sentido para o enredo.

Hoje, apenas 10 anos depois, creio que esta realidade de vida talvez esteja mais perto de nós do que imaginamos e nem precisaremos viver em uma espaçonave.

Se pararmos pra pensar um pouco no nosso dia a dia e nas possibilidades de serviços e facilidades ao alcance de um touch na tela do nosso “super smarthphone que na verdade já é uma extensão do nosso braço”, vamos perceber que é totalmente possível ser um ser humano amplamente ativo e um consumidor heavy user de muitas marcas, sem sequer levantar da cama. Claro que muitos de nós não podem ficar deitado o dia inteiro (apesar da enorme vontade), mas podemos fazer muitas coisas sem necessariamente estar em muitos lugares, e tenho minhas dúvidas do quanto isso é bom ou o quanto de oportunidades perdemos vivendo desta forma.

Vamos exemplificar. Quer assistir um filme? Deixa o cinema pra lá e vai de Netflix. Quer comer naquele restaurante que você gosta? Para que ir até lá, pede no iFood. Ah, ele não está no iFood, então chama um Rappi, pede pra comprar no restaurante para viagem e trazer pra você. Aliás, o Rappi virou uma febre para algumas pessoas que conheço. De compras de supermercado a papelarias, usam o Rappi pra tudo sem ter que sair de casa ou do trabalho. O Rappi é quase a multiplicação das horas do dia que tanto pedíamos pra conseguirmos fazer mais coisas (será que se eu mandar um no dentista no meu lugar funciona?). Isso sem contar as centenas de aplicativos destinados a quase tudo que temos instalados no nosso “super smarthphone que na verdade já é uma extensão do nosso braço” e que facilitam e agilizam a nossa vida. E a Internet das Coisas já está aí, com a “Inteligência Artificial” pensando e decidindo nossos consumos por nós.

Ok, parece bom ter tanta facilidade, mas será que existirá algum limite? No que nos transformaremos daqui a alguns anos? E qual o papel das empresas em tudo isso? Será que valerá mesmo a pena entrar de cabeça pra dominar tudo ou as próprias empresas buscarão criar estes limites?

Minha resposta? Sinceramente, eu não sei!

A única coisa que sei é que não gostaria de viver igual aos personagens do Wall-E.