E aeh moço, aceita bitcoin?

Sua empresa está pronta para se relacionar com seu cliente quando o bitcoin, de fato, ‘pegar’?

Os últimos dias tem sido uma febre para quem está participando do mercado de moedas digitais, especialmente bitcoin. Se a palavra ainda é um ‘bicho estranho’ para você, a explicação mais simples que encontrei até agora está aqui.

Com uma alta de quase 20% na cotação da moeda nos primeiros 6 dias depois do Fork do bitcoin, isto é, da quebra da moeda em dois, o cenário e o conhecimento público sobre moedas digitais têm crescido.

Mas o que isso tem a ver com Relacionamento com Clientes?

Do Subway nos Estados Unidos à Tecnisa no Brasil, já tem gente aceitando das tais moedas virtuais. O tema não é exatamente novo, já que a primeira moeda foi ‘cunhada’ em fevereiro de 2009.

Acertar se e quando o bitcoin ou qualquer outra moeda digital fará parte definitivamente do nosso dia-a-dia, é tão simples quanto acertar os números da próxima Mega-Sena.

O dinheiro em forma de moedas ou papel, revolucionaram a vida moderna no momento em que elas permitiram que houvesse acumulo e transferência de riquezas – trocar um boi por 1000 ‘moedas’ é naturalmente mais simples do seu equivalente a digamos 120 galinhas.

Até o presente momento, somente governos estavam habilitados a criar uma nova moeda. Com ou sem lastro, com ou sem a responsabilidade fiduciária, as moedas emitidas por países tem sido uma referência na vida social moderna. Com um pouco de estudo de economia você compreende que a escassez é a base do valor de qualquer moeda. Fabricar dinheiro em casa como fez o personagem no episódio “O dinheiro do Clarêncio”, nos ensina princípios simples e básicos como escassez, oferta e demanda e aceitação coletiva do dinheiro.

A mudança de uma moeda para um pais é algo trabalhoso, mas relativamente simples, basta o presidente e alguns ministros tomarem a decisão, algumas votações e aprovações, mudar as imagens e o nome das moedas e, por fim, rodar algumas procedures de computador nos bancos para que o processo seja finalizado. Bem, não tão simples, mas algo que vimos acontecer um par de vezes no Brasil.

Com uma moeda digital internacional e sem um representante oficial, o cenário é um pouco mais delicado. Ela exige algo de que ainda carecemos como humanidade, que é a confiança mútua.

O que talvez esteja passando despercebido é que se o bitcoin (ou qualquer outra moeda) ‘pegar’ de fato, isto nos fará repensar o que é dinheiro e como deve acontecer a troca de valores. Na minha visão isso habilita com que programas de fidelidade possam eventualmente ser vistos como pequenos bancos de acúmulo de valores. Isso habilita ainda com que qualquer ‘ativo digital’ como likes, followers ou qualquer outra representação coletiva possa ser armazenada e ‘trocada’.

Talvez o que escrevo pareça um tanto distante da nossa realidade diária, mas há não muito tempo, Brock Pierce (ex-ator da Disney) fundou em 2001 a IGE (Internet Gaming Entertainment), com o objetivo de comercializar moedas e ativos digitais de jogos de computador como espadas, capas, magias, e outros artefatos criando, assim, um mercado multibilionário.

Ainda tendo sido facilitado ao extremo, a entrada do vendedor de brigadeiros de bicicleta no comércio eletrônico através da aceitação de cartão de débito e crédito através do celular ou até mesmo da Moderninha, os custos embutidos nestas operações ainda são relativamente muito altos. Fintech está se tornando palavra da moda, mas de prático, ainda pouco tem mudado na via do comerciante médio no trato com seus clientes.

A grande revolução ainda está por vir. Utilizando apenas o Brasil como referência, um par de mudanças, inovações e reivindicação sobre os direitos do consumidor já aconteceram. Até mesmo a reivindicação sobre os direitos digitais – através do Marco Civil da Internet – já aconteceu. A próxima onda me parece agora estar na ‘última milha’ da relação: o dinheiro!

Resta saber se nossos negócios estarão preparados para este novo momento.

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