Aprender a ser cliente

Como cliente você está habituado a se colocar do outro lado, no lugar de quem o atende diariamente? Será que sabemos ser cliente?

O momento de relacionamento entre uma empresa e um cliente é sempre pautado por necessidades e interesses de ambos os lados. Ou seja, se a empresa tem o interesse em vender um produto, o cliente tem, por sua vez, a vontade de satisfazer uma necessidade.

Por isso que defendo a tese, às vezes utópica, de que o relacionamento entre empresas e pessoas deveria ter um maior equilíbrio e transparência, sem que um lado tenha maior poder sobre o outro, seja, por exemplo, o poder gerado pelo tamanho ou capital (no caso da empresa) ou pelas leis de proteção (no caso das pessoas). Acredito que quando há integridade no relacionamento, um lado não irá querer levar vantagem sobre o outro e todos ganharão.

Quem costuma ler meus artigos, sabe que muitas vezes busco trazer algum tipo de reflexão sobre o desequilíbrio e a forma com que o relacionamento com clientes é normalmente conduzido por muitas empresas, mas desta vez farei diferente.

Se um relacionamento tem dois lados, não podemos esquecer então que o cliente também tem seus deveres, além dos seus direitos. Mas nem sempre isso é lembrado, certo? Quantas vezes vemos algum cliente querendo tirar vantagem em alguma situação? Quantas vezes nós mesmos já agimos assim?

Creio que somos muito egoístas nos nossos relacionamentos em todos os níveis, por isso, infelizmente, é normal também um cliente se portar de maneira egoísta em relação a uma empresa. Além do egoísmo, creio que parte deste comportamento também aconteça por desconfiança, por causar uma percepção já comum de que a empresa sempre está levando vantagem e ganhando muito em cima dos clientes. Mas nem sempre é assim.

Muitas vezes, nós, como clientes, reclamamos de atendimentos ruins e até grosseiros pelas empresas, mas nosso comportamento nestas ocasiões costuma ser tão ou mais grosseiro. Hoje em dia, com maior liberdade para falar e a Internet/Redes Sociais como canal, cada vez é mais comum ver clientes destilando ódio na hora de fazer uma reclamação.

Tenho, então, 4 dicas para os clientes aprenderem a ser clientes:

1 – Reclamar, sim, mas nos canais certos e na medida certa. Até porque a exposição indevida de uma empresa pode gerar problemas na justiça. Mas qual é esta medida?

2 – Esta medida é a segunda dica e é bem simples. Imagine-se no papel de quem vai ouvir sua reclamação e veja se você gostaria de ouvi-la deste modo. Em outras palavras, não faça outra pessoa passar por uma situação que você não gostaria de passar. Lembre-se que do lado da empresa também existem pessoas.

3 – A terceira dica é que você pode e deve compreender um pouco mais o cenário da empresa da qual escolheu consumir e pensar nas suas referências para comparações antes de reclamar. Afinal, devemos entender é que cada negócio tem um cenário e uma estrutura de custos e expectativa de ganhos que o cercam. Saiba, cliente, que sim, é muito diferente, por exemplo, comprar uma lata de refrigerante em um supermercado e tomá-la andando na rua, do que em um restaurante e tomá-la sentado em uma mesa em um ambiente com música e ar condicionado. Por isso, os preços podem variar tanto.

Claro que há os excessos por parte das empresas e eles precisam ser combatidos e é aí que entra a dica final.

4 – Você, cliente, tem o poder da escolha. Salvo exceções de mercado, você pode simplesmente escolher outra empresa para consumir o produto. Esta é a melhor forma de combater os excessos que as empresas cometem em questão de preço ou falta de qualidade dos produtos ou serviços.

E bom consumo!