A era da Transparência

Estamos digitalizando nossa vida e nossa sociedade. No entanto, o mais importante é perguntarmos com transparência: Eu quero me relacionar com meu cliente?

Há algumas semanas escrevi, aqui no blog, um texto sobre a ´nova’ Democracia Digital.

Para quem me conhece pessoalmente sabe que, embora eu seja uma pessoa nativamente da tecnologia, navego pouco nas redes sociais e afins. Procuro olhar a tecnologia como uma ferramenta a serviço da humanidade e não o inverso.

Essa conexão homem-máquina tem estado tão ‘fora da curva’ que algumas versões de OS de celulares já avisam quanto tempo você gasta por dia usando seu dispositivo. Estamos, pouco a pouco, digitalizando nossa vida e nossa sociedade.

Enquanto transformamos produtos, serviços, conhecimento e notícias em bits & bytes vamos nos tornando mais iguais.

Vivemos ainda aquele momento de liberdade da pessoa que viveu anos em um cativeiro e conseguiu se libertar. No nosso caso não porque a porta se abriu, mas por um simples ato de rebeldia de que como está, não dá mais para ficar.

Durante os últimos dias tenho visto na internet uma enxurrada de posts recheados de barbaridades e muita tensão. Vejo o Brasil se revoltando contra si mesmo. Independentemente de partidarismo, a política neste ano de 2018 nos mostra que aqueles que têm coragem de se expor e falar um mínimo de verdade, receberam maior atenção dos eleitores. As velhas formas e fórmulas de comunicação política já se mostram deveras desgastadas.

Chegamos a esta temperatura por conta do nível de descalabro que a sociedade brasileira tolerou. Fique tranquilo, não se sinta excluído globalmente. O cenário que vivemos aqui é apenas um reflexo temperado com a cultura local de um problema um pouco maior. O problema de corrupção e desgoverno não está localizado apenas no hemisfério sul.

Em minha leitura pessoal, esse cenário de mudança política não começou hoje. Embora eu não tenha tanta idade, minha compreensão é de que essa mudança iniciou na ‘re’abertura do voto direto para presidente, no final dos anos 80.

Chamo a atenção de que este mesmo cenário de inconformismo já tangencia o mundo dos negócios. Essa mesma ‘revolta popular’ que hoje atinge o cenário político, chegará também ao mundo corporativo.

Segundo uma frase que li recentemente, você só pode mudar um sistema fazendo parte dele. As mudanças (que, diga-se de passagem, já começaram) – sejam elas no final positivas ou negativas – só estão acontecendo porque as pessoas estão mais conscientes sobre o seu papel e sua responsabilidade no cenário social.

A ‘vantagem’, se assim posso dizer, é que a política funciona similar a um condomínio: todo mundo reclama, mas poucos querem se oferecer para o cargo de síndico.

A despeito da indignação com a qualidade e o impacto que a vida social está gerando é que no final das contas, todos precisamos trabalhar para sustentar um modelo capitalista. Isso significa que cada um de nós pode reclamar que tal e tal empresa não prestam a atenção no cliente. No final do dia, entretanto, todos nós trabalhamos em algum tipo de negócio, seja pequeno, médio ou grande e temos, assim como qualquer negócio, clientes que são atendidos por ele.

Esse cenário faz com que a coragem e a vontade de olhar para uma direção de mudança sejam limitadas, visto que nós já estamos ‘dentro do sistema’.

A saída deste aparente jogo de sofrimento sem fim é ter a coragem e a iniciativa de olhar para dentro de seu próprio ambiente de trabalho e negócio e fazer uma pergunta tão simples quanto profunda: “Eu quero me relacionar com meu cliente?”

E se…, por ventura a resposta a esta simples pergunta for sim, talvez valha incluir uma segunda, ainda mais curta: “Por que?”

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