A empresa a serviço das pessoas

Conheça neste artigo de Leonardo Barci a importância do "Servir" na Relação Empresa-Cliente

Quando uma empresa nasce no Brasil, de maneira objetiva, seu reconhecimento é feito de duas formas: pela Razão Social e pelo Contrato Social.

Não sei exatamente como surgiram estas duas nomenclaturas mas, na minha opinião, acho genial.

Simbolicamente, a primeira deveria representar o motivo pelo qual a empresa iniciou suas atividades. A Razão da empresa ter sido aberta dentro de um determinado grupo Social no país.

A segunda, são as condições e os acordos que a empresa pretende seguir com suas atividades. É o Contrato que ela estabelece com a Sociedade.

Considerando estas duas formas, toda empresa já nasce dentro de um contexto, com uma função específica, com um propósito claro.

O lucro, dentro deste contexto, seria secundário à atividade, caracteriza-se, neste caso, como o resultado de uma operação saudável. Simbolicamente, as pessoas reconhecem que aquela empresa produz algum benefício social e desta forma direciona seus recursos para que ela exista e prospere.

Em uma semana típica na minha vida, faço deslocamentos de carro particular, táxi, ônibus, metrô, trem, avião e a pé.  A partir desta rotina tenho a oportunidade de observar a distância e as distorções em cada um destes chamados assim modais.

Dentro dessa observação, vejo a discussão que surgiu com a entrada (ou eventualmente ainda não) do Uber no Brasil. Naturalmente, o ponto não está no aplicativo em si, mas ao questionamento que ele trouxe de para que, e a quem os táxis de uma determinada cidade estão a serviço.

Dentro desta minha observação, os táxis são mais rapidamente vistos como um serviço social, mas em última instância, percebo todas as empresas como estando dentro de um contexto de serviços à sociedade.

Ainda dentro desta observação, algo me chamou a atenção na estação de trem Vila Olímpia, na zona sul de São Paulo. Para você que é de outro local, ou mesmo não conhece a estação, esta é uma das mais movimentadas da cidade. Ela fica em uma região que é reconhecida hoje como a ‘nova Avenida Paulista’.

Uma pessoa que faz uso do trem para o trabalho notará rapidamente que o espaço disponível para entrada e saída da estação é metade ou eventualmente um terço do necessário.

Até aí, parece algo trivial para grandes cidades. O ponto que realmente me chamou a atenção é que no espaço que vai da catraca de entrada/saída da estação até a avenida principal, a prioridade é claramente dada à circulação de veículos. Logo na saída da estação, já estando na avenida para circular para o bairro, a primeira faixa de pedestres não tem capacidade de dar vazão à circulação de pessoas.

Sinceramente, não acredito que a equipe de arquitetos e engenheiros, tanto da estação quanto da engenharia de trânsito local, tenha deixado de fazer seu respectivo trabalho, mas me chamou a atenção uma rua lateral que divide a estação com um prédio ao lado. A rua que me refiro é o caminho de um estacionamento do prédio. Já me dei ao trabalho de observar a vazão de carros do prédio. Enquanto em horário de pico circulam alguns milhares de pessoas por hora, no prédio circulam não mais do que um carro a cada minuto.

O investimento em uma malha viária de trem ou metrô é algo que financeiramente não se paga em um período menor do que 100 anos. Sob este prisma, apenas um investimento social é capaz de bancar isto. Nenhuma empresa teria condições de suportar esta pressão.

O que me chamou a atenção nos dois casos que citei é: A serviço do que e de quem tanto os táxis quanto a estação de trem estão? Qual é a prioridade social que as cidades vem dando às pessoas que utilizam transporte público ou similares e aos carros?

De forma concreta e sob o risco de ser criticado, a prioridade vem sendo dada a um reduzido grupo de pessoas. Infelizmente, mesmo com um carro de táxi ou ainda com a ‘mágica’ do Uber, o deslocamento em São Paulo no dia a dia está tão caótico como a estação de trem.

No artigo da semana passada, Márcio levantou o questionamento sobre o destino da Apple. Se a história tem algum peso, eu diria que, pela segunda vez, a empresa priorizou a geração de lucro em detrimento ao atendimento as pessoas.

Para quem não sabe da história, quando Steve Jobs foi expulso de sua própria empresa, a diretriz era a de geração de lucro em tempo menor do que o que vinha acontecendo. A empresa chegou, com isso, perto de quebrar. Em seu retorno, Jobs teve a coragem (e até um pouco de loucura) de cortar o que não tinha relação com o essencial da empresa e focar no que as pessoas precisavam e eventualmente ainda nem sabiam. Sim, o rapaz era um gênio, não há dúvida.

O que eu gostaria de chamar atenção neste post de hoje é que a manutenção das empresas depende de uma mudança de sentido. Quanto mais relevante a empresa for socialmente, maior a urgência em se reconectar com as necessidades reais das pessoas.

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