Antigos credores dos donos da Avianca ameaçam impedir compra pela Azul

A Azul fez uma proposta para comprar parte das operações da concorrente Avianca Brasil, mas antigos credores dessa empresa ameaçam a transação

A empresa aérea Azul fez no início de março uma proposta para comprar parte das operações da concorrente Avianca Brasil — dos  irmãos Efromovich —, incluindo aviões e slots em aeroportos, e tem dito que a negociação precisa ser concluída em até 60 dias.  Mas antigos credores dos donos da Avianca ameaçam a transação.

As seguradoras Fator e Chubb estão lutando na Justiça para receber uma dívida de cerca de 250 milhões de reais referente a uma apólice emitida para o Estaleiro Ilha (Eisa), controlado por Germán Efromovich. O Eisa, que fica no Rio de Janeiro e pediu recuperação judicial em 2015, deixou de entregar quatro navios encomendados por um cliente de Singapura, que solicitou a indenização do seguro. O montante deveria ser reembolsado às seguradoras pelo Grupo Synergy, de Germán, porém nunca foi saldado.

No final de 2018, a Fator (que tem direito a mais de 90% do valor do reembolso) e a Chubb conseguiram o bloqueio de ações da Avianca em poder da holding AVB, dos irmãos Efromovich, para garantir o pagamento. Mas a AVB foi incluída em outra recuperação judicial, a da Avianca, e isso impede que as seguradoras eventualmente vendam as ações da companhia para conseguir o dinheiro devido.

Elas entraram com novo processo no Tribunal de Justiça de São Paulo solicitando que a AVB seja retirada da recuperação judicial, pois não é uma empresa operacional, segundo a petição do escritório de advocacia Mattos Filho.

Fontes próximas às seguradoras dizem que a AVB só serve para blindar o patrimônio dos Efromovich. Dois desembargadores já votaram a favor e a decisão do terceiro ficou para 8 de abril. Se o pedido das seguradoras for aceito, a recuperação judicial da Avianca terá de ser revista, colocando em risco a venda dos ativos para a Azul.
A Avianca e a Azul não comentaram.