Por que estar no domínio e não no controle da situação?

Ser "controlador" é diferente de ser "dominador". Entenda os conceitos para não tentar controlar o incontrolável e sim dominar a si próprio.

Quanto mais trilhamos o caminho do autoconhecimento, mais sentimos a vida “entrar nos trilhos”. E quanto mais aumentamos a assertividade nas tomadas de decisão, maior é nossa expectativa de que as decisões do futuro se tornarão cada vez mais fáceis. Mas a realidade não condiz exatamente com esse cenário e isso pode causar grandes decepções, principalmente para quem sempre tenta estar no controle das situações. 

Os controladores são aqueles que por estarem cientes de sua evolução pessoal e terem superado certos desafios na vida, sentem que é injusto ter de enfrentar os mesmos tipos de desafio novamente. Sua principal característica é tentar controlar os acontecimentos ao seu redor, esperam que as ações dos que os cercam correspondam às suas expectativas e que a vida apenas os apresente aquilo que é pretensamente adequado. Tentam a todo custo eliminar a vulnerabilidade no seu dia a dia. 

O outro grupo é o dos “dominadores”; estes sabem que não podem controlar os acontecimentos, eles simplesmente lidam com o que está diante deles. E não é porque são chamados de “dominadores” que querem se impor aos outros ou dominar a situação, pelo contrário, eles se utilizam da capacidade de “autodomínio”. Assim, não importa o desafio ou a tomada de decisão que tem pela frente, conseguem discernir pelo melhor caminho independente da situação, sem cair nas armadilhas do próprio ego, das tentações e dos “atalhos sedutores” já conhecidos. 

Foi Gustavo Prudente quem compartilhou sua visão sobre esses dois conceitos, que imediatamente fizeram todo o sentido para mim. Gustavo é uma pessoa que respeito profundamente e um profissional reconhecido por seu trabalho como Coach de Lideranças e Consultor Organizacional pela Sustenta Mundo – Culturas & Relações Sustentáveis, em que é sócio-fundador. O foco do seu trabalho é contribuir para o desenvolvimento de líderes e culturas sustentáveis. Acredito que quando falamos desses conceitos no mundo da liderança ambos se potencializam, pois todos os posicionamentos afetam não só os próprios líderes, mas todo um grupo de pessoas.

“O domínio nos ajuda a criar musculatura para enfrentar a vulnerabilidade. Aumenta nossas habilidades internas.” diz Gustavo.

Pessoalmente acredito que o ego tenha suas características positivas, mas quando insistimos em bater na tecla do controle é a auto-sabotagem que impera. Então perceber se estamos no “domínio” ou no “controle” é vital para deixarmos de querer controlar o que é incontrolável e de sofrer com isso. 

Gustavo usa a analogia de um cavalo selvagem; os controladores querem domar o cavalo e mesmo que consigam fazê-lo apenas aprenderão a montar um cavalo domesticado – sem toda a vitalidade que só um cavalo selvagem pode ter. Já os dominadores não tentam fazê-lo, entendem que um cavalo selvagem é um cavalo selvagem e aprendem a lidar com ele como é. Gustavo conclui “O domínio nos permite variar entre os ambientes de maior e menor controle.”

Quando penso dessa maneira, percebo que estar no domínio de si próprio é atuar no campo da responsabilidade, do protagonismo, da maturidade, do foco, da ética e do discernimento. Estar no controle pende para o lado de “se sentir divino”, ser vaidoso em excesso, ter senso de juiz supremo, uma noção de mérito equivocada e maior dificuldade em lidar com a vulnerabilidade. 

Não necessariamente somos apenas controladores ou apenas dominadores, podemos oscilar de um modo de agir para outro dependendo da situação. Confesso que já vivi na pele as duas situações e nas vezes em que me vi tomado por uma atitude controladora, isso só me causou inconformismo e frustração, enquanto que quando agi confiante de estar no autodomínio, todas as peças do quebra-cabeça acabaram se encaixando. Estar no domínio para mim é uma forma de estar “em flow”, vivendo o presente momento, estando aberto a absorver os sinais emergentes e lidar com eles com sinceridade. 

Por Danilo España

Idealizadores do Walk and Talk, Luah Galvão e Danilo España deram uma Volta ao Mundo por mais de 2 anos e visitaram 28 países para entender o que Motiva pessoas. Em seguida fizeram o Caminho de Compostela entrevistando peregrinos sobre Superação. Recentemente voltaram da Expedição Perú, onde focaram seu olhar para resiliência. Compartilham suas descobertas através de palestras e workshops por todo o Brasil.

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