Até onde a polaridade pode nos levar?

A polarização se popularizou, como ultrapassamos as barreiras desse fenômeno para discutir com mais bom senso?

Imagine o seguinte cenário: um índio mira e lança seu arpão em direção à uma caça. O propósito do índio é justo, sua sobrevivência depende disso. Agora vamos transportar esse contexto para o campo das discussões atuais, principalmente as que acontecem nas redes sociais; vejo algo parecido com a cena do índio, mas nesse caso os arpões são as opiniões. Assim, diariamente arpões afiados voam de um lado para outro. A diferença é que no campo das discussões, esses arpões voam sem foco e sem propósito. Parece que não há preocupação e cuidado em mirar na caça (que poderia ser entendida aqui como se aprofundar nas questões ou debater temas de forma saudável). Ao invés disso, acabamos mirando uns nos outros e lançamos nossas “opiniões-arpões” pelo puro prazer de lançar ou pela adrenalina que esse momento gera. No fundo o que queremos é apenas manifestar nossas opiniões.

Talvez o mundo sempre tenha tido mais arpões do que pessoas, mas hoje em dia os avatares permitem que arpões virtuais sejam lançados sem tanta vulnerabilidade, com alcance global e escalonável. 

Sem perceber, estamos construindo um verdadeiro campo de batalha e com essa mentalidade instituída é natural que as pessoas comecem a tomar partido sobre as causas discutidas. Isso potencializa um fenômeno que está saltando aos nossos olhos e que passamos a sentir na pele seus efeitos, que é a polarização. Sem nos darmos conta agrupamos opiniões em um polo absolutamente contra ou outro polo absolutamente à favor. Falta espaço para a existência de um meio termo, onde cada visão possa ser somada e complementada para gerar um novo resultado.

O fato é que desaprendemos a caçar, perdemos o foco e o propósito do que estamos fazendo. Ao invés de voltar com alimento após a caça, nos empenhamos em uma batalha que não alimenta ninguém.

Até onde a polaridade pode nos levar? Os extremos estão tão gritantes que fogem da nossa zona de compreensão. Da mesma maneira que não podemos ouvir ultrassons ou infrassons e nem ver luz infravermelha ou ultravioleta, não conseguimos captar as informações de um tema quando ultrapassam um extremo. Precisamos trazer as discussões para os limites de uma faixa que só o bom senso é capaz de determinar. 

Mas como definir essa faixa do bom senso? Diante desse panorama, entendemos porque metodologias como a Comunicação Não Violenta tem sido cada vez mais requisitadas em empresas, organizações e grupos. Muitos já entenderam que nossa comunicação merece ser mais cuidada. Empatia é um dos segredos desse processo, pois nos faz pensar como seria estar no lugar do outro e com isso trazer mais humanidade às relações. 

Outro balizador é o Propósito, palavra inclusive que está na moda faz tempo nas áreas de inovação e autoconhecimento. A tentativa é de trazer mais atenção ao que realmente está em discussão, aumentar o foco, a clareza mental e evitar as dispersões que só geram polarizações.

Um Novo Mundo está chegando, mas é preciso nos alinharmos e nos conectarmos com os novos valores e conceitos que estão emergindo. Insistir nas polaridades, nas guerras de arpões sem sentido não nos levará a lugar algum. Precisamos nos utilizar das ferramentas virtuais que dispomos como meios para complementarmos ideias, avaliarmos mais facilmente o que funciona, nos inspirarmos em iniciativas inovadoras ao redor do planeta e também naquelas que carregam e preservam o que é essencial. Utilizemos nossos arpões com propósito. É tempo de mais consciência, é tempo de despertar.

Por Danilo España

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Idealizadores do Walk and Talk, Luah Galvão e Danilo España deram uma Volta ao Mundo por mais de 2 anos e visitaram 28 países para entender o que Motiva pessoas. Em seguida fizeram o Caminho de Compostela entrevistando peregrinos sobre Superação. Recentemente voltaram da Expedição Perú, onde focaram seu olhar para resiliência. Compartilham suas descobertas através de palestras e workshops por todo o Brasil.

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