Movimentações no tabuleiro da sucessão

Os próximos 90 dias serão chaves para a definição de quais candidaturas à Presidência são balões de ensaio e quais de fato sairão do papel

A ida do dono da rede de lojas Riachuelo, Flávio Rocha, para o PRB, a filiação do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, ao MDB nesta terça-feira (3) e a filiação do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa ao PSB (7), mais a saída de Paulo Rabello de Castro (PSC) da presidência do BNDES deixam praticamente definida a lista de pré-candidatos ao Palácio do Planalto.

A incógnita é se Barbosa conseguirá viabilizar sua candidatura ao Planalto pelo PSB. Caso não saia candidato, é remota a possibilidade de surpresas na corrida presidencial. De agora até o registro das candidaturas, as novidades devem ficar por conta somente da desistência de alguns nomes que hoje figuram na disputa para compor alianças.

Os próximos 90 dias serão chaves para a definição de quais candidaturas são balões de ensaio, prontos para estourar e compor alianças mais robustas, e quais de fato sairão do papel. Flávio Rocha (PRB), Rodrigo Maia (DEM) e Henrique Meirelles (agora, MDB), por exemplo, correm risco real de ficarem pelo meio do caminho. Apenas Maia, com bom controle sobre o DEM, é dono de sua própria decisão. Mas, pragmático como é, caso não decole, não terá vergonha de garantir sua sobrevivência política tentando a reeleição ao Congresso Nacional. Já Flávio Rocha precisará convencer o também pragmático PRB de que sua candidatura é viável. Precisará chegar perto dos 10% em 90 dias. Meirelles também. Desafios difíceis.

Faltando cerca de seis meses para as eleições, tem-se hoje uma fragmentação de candidaturas à esquerda, no centro e também à direita. No campo da esquerda, estão o ex-presidente Lula e Fernando Haddad (PT); Ciro Gomes (PDT); Manuela D’Ávila (PCdoB); e Guilherme Boulos (PSOL). A centro-esquerda, por sua vez, se divide entre Marina Silva (Rede) e Joaquim Barbosa (PSB).

No centro também há fragmentação. O MDB pode concorrer com o presidente Michel Temer ou com Henrique Meirelles. O PSDB irá de Geraldo Alckmin. Nesse campo temos ainda Rodrigo Maia (DEM); Álvaro Dias (Podemos); e Paulo Rabello de Castro (PSC). À direita aparecem como opções Jair Bolsonaro (PSL); Flávio Rocha (PRB); João Amoêdo (Novo); e Fernando Collor (PTC).

Hoje, Geraldo Alckmin é quem está mais próximo de construir uma aliança competitiva. O pré-candidato do PSDB tem boas possibilidades de atrair o apoio de PSD, PTB e PPS. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o DEM, por sua vez, se aproximaram do PP.

Mesmo que o MDB encontre dificuldades para atrair aliados neste momento, o governo Temer tem a reforma ministerial como instrumento de sedução. Em que pese a baixa popularidade do presidente, ter o poder da máquina num cenário em que não haverá financiamento privado de campanha pode ser um importante diferencial. Porém, independentemente de o candidato ser Temer ou Meirelles, a resistência do MDB à candidatura própria, sobretudo em estados do Nordeste, pode enfraquecer o projeto de poder emedebista.

Bastante fragmentada e dependente de Lula, que cada vez mais corre o risco de não sair candidato em outubro, a esquerda pode ainda se reorganizar. Caso Joaquim Barbosa e Manuela não saiam candidatos, PSB e PCdoB, ex-aliados históricos do PT, podem optar por uma coligação com o PDT de Ciro Gomes. Há também a possibilidade de Marina e o Rede comporem com Ciro. Outra opção que não pode ser descartada é a coligação entre Rede e PSB em torno de Marina e Barbosa.

À direita, mesmo que Bolsonaro hoje desponte em melhor posição nas pesquisas, Flávio Rocha e João Amôedo, que também devem lançar mão de um discurso liberal-conservador, podem acabar tirando votos do pré-candidato do PSL.

Em que pese a imprevisibilidade da disputa, acredito que o candidato do PT (possivelmente Haddad), Ciro Gomes, Geraldo Alckmin, Jair Bolsonaro e Joaquim Barbosa, neste momento, são os pré-candidatos com maior potencial eleitoral.

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