A Aversão às Perdas e a Propensão ao Risco

Para dar continuidade à série de artigos que têm as finanças comportamentais como foco, vamos abordar um comportamento frequentemente observado no processo de tomada de decisão sobre investimentos em ativos de risco (compra/venda de ações). Esse comportamento caracteriza um viés comportamental conhecido pelo nome de “Efeito Reflexão”, tendo sido observado e sistematizado pelo psicólogo Daniel Kahneman e por Amos Tversky em suas pesquisas, que deram forma à Teoria do Prospecto […] <div class="read-more"><a href="https://exame.abril.com.br/rede-de-blogs/investidor-em-acao/2011/01/26/a-aversao-as-perdas-e-a-propensao-ao-risco/" class="more-link">Leia mais</a></div>

Para dar continuidade à série de artigos que têm as finanças comportamentais como foco, vamos abordar um comportamento frequentemente observado no processo de tomada de decisão sobre investimentos em ativos de risco (compra/venda de ações). Esse comportamento caracteriza um viés comportamental conhecido pelo nome de “Efeito Reflexão”, tendo sido observado e sistematizado pelo psicólogo Daniel Kahneman e por Amos Tversky em suas pesquisas, que deram forma à Teoria do Prospecto (Prospect Theory).

Os estudos realizados por Kahneman (Prêmio Nobel de Economia em 2002) e Tversky, no campo das finanças comportamentais, contribuíram para questionar e, por fim, refutar muitos pressupostos e conclusões da teoria de finanças tradicional ao adotar uma perspectiva descritiva para os fenômenos comportamentais ligados às finanças.

Voltando ao foco de nosso artigo, nota-se que as pessoas reagem de maneira diferenciada ao experimentar situações de ganho ou de perdas – de mesmo montante – no mercado de ativos de risco (ações), quando realizam as suas estratégias de investimento. Esse fato denota a ocorrência de um viés comportamental (o efeito reflexão), na medida em que o comportamento apresentado não é linear e tampouco apresenta coerência, quando as pessoas vivenciam uma situação de ganho ou de perda nesses mercados.

Exatamente por acontecer com muita frequência, esse viés pode causar danos financeiros apreciáveis e cumulativos ao se realizar investimentos de risco. Dessa forma, é importante que estejamos prevenidos e saibamos como evitá-lo quando ele tentar se manifestar.

Conforme podemos observar pela figura abaixo, as pessoas conferem “valor” diferenciado em termos de satisfação e/ou desconforto, dependendo se elas se encontram no terreno dos ganhos ou das perdas em suas estratégias de investimento. Note que a satisfação auferida com o ganho (denotada pela área do retângulo de cor azul) é muito inferior ao desconforto experimentado (denotado pela área do retângulo de cor rosa) em razão de uma perda de mesmo montante.

A “função valor”, criada por Kahneman e Tversky, mostra que as pessoas demonstram aversão ao risco no terreno dos ganhos. A curva vermelha tem forma côncava quando se encontra no terreno dos ganhos, indicando aumento decrescente de satisfação/valor, conforme os ganhos aumentam. Por outro lado, no terreno das perdas, as pessoas demonstram propensão ao risco. A curva vermelha é convexa e mais inclinada no terreno das perdas; o que indica que as pessoas sofrem desconforto crescente ao enfrentar perdas.

Isso implica que os investidores têm comportamentos diversos, dependendo se estão experimentando lucros ou não em sua posição de ativos de risco. De forma que deverão “realizar” os ganhos obtidos rapidamente, enquanto que tenderão a “segurar” por mais tempo a sua posição perdedora. Isso ocorre basicamente porque o psicológico das pessoas vai tentar indicar o caminho mais conveniente para elas; seja valorizando os seus egos ao fazê-las realizar logo o lucro obtido, ou postergando a realização do prejuízo para minimizar o desconforto causado em seus egos e auto-imagens pelo reconhecimento da perda.

Portanto, essa “disfunção” ou viés comportamental pode gerar redução de ganhos e aumento de perdas para as pessoas nos seus investimentos em ativos de risco. Elas se tornam “medrosas” quando se encontram na região dos ganhos e “corajosas” quando se encontram na região das perdas. Quem já não experimentou tal comportamento ou, pelo menos, se sentiu tentado a seguir seu emocional em vez do racional em suas decisões sobre investimentos? Vale lembrar que o impulso que sentimos para fazer o chamado “preço médio” quando compramos uma ação e ela cai logo em seguida, nada mais é do que a manifestação do viés comportamental que acabamos de discutir.

Nesse sentido, deve-se procurar formas para neutralizar a ocorrência desse comportamento a fim de minimizar as perdas e de potencializar os ganhos esperados em estratégias com ativos de risco. Uma boa ferramenta para isso pode ser a utilização da análise técnica (grafista), pela qual é possível fixar gatilhos de “stop-loss” (limitação de perdas), assim como determinar níveis móveis de “stop-gain” (limitação de ganhos) – com base no estudo dos gráficos temporais dos ativos de risco de interesse.

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