O empreendedorismo aliado ao desenvolvimento sustentável

Startup aposta no reflorestamento e investimento florestal para provar que a sustentabilidade também é rentável

A preservação ambiental é um tema de destaque em todo o mundo e, no Brasil, o cenário não é diferente. Foi pensando em contribuir com o meio ambiente e ao mesmo tempo ajudar empreendedores a lidar com a grave crise econômica vivenciada no país, que surgiu, em 2015, a Radix. A startup trabalha com o reflorestamento de madeira nobre e oferece investimento florestal através de crowdfunding. Hoje, com mais de 40 mil árvores de mogno africano plantadas, Gilberto Derze e Thiago Campos deixam sua pegada verde no planeta, lucram e ajudam outras pessoas a crescer no mundo dos negócios. Ouça no podcast abaixo!

Através do crowdfunding, a Radix realiza ofertas públicas no valor de R$450 para quem se interessar em investir no mercado sustentável, um dos mais seguros da atualidade. “Trabalhamos com o plantio de madeira nobre, usada na fabricação de móveis, instrumentos musicais e engenharia de interiores: o mogno africano. É um negócio a longo prazo. Além de plantar, vendemos títulos destas florestas. Os investidores ganham, pois são sócios daquele módulo florestal. No momento em que vendermos esta madeira, eles terão o retorno financeiro junto com a gente. Com este investimento, temos recursos para aumentar nossa produção e então plantamos mais e cuidamos das florestas com mais qualidade”, explica Gilberto Derze, sócio da Radix.

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Em sua última oferta realizada, a startup, que antes atingiu 30 investidores, garantiu 350 interessados. O processo é feito online, através da plataforma de equity crowdfunding Basement, registrada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e não há vínculos, ou seja, é uma oferta única, mas que pode ser refeita caso haja interesse. “É um investimento acessível a qualquer pessoa e esse é nosso objetivo. Chamamos de democratização do investimento florestal”.

Com milhares de árvores plantadas, em Minas Gerais e Roraima, o impacto ambiental já é gigantesco: São 7 milhões de toneladas de carbono (CO2) eliminados da atmosfera somente neste ciclo. A expectativa para 2020 é dobrar a meta e chegar a, pelo menos, 80 mil plantios. “O principal critério que temos a2o escolher o local de plantio é que sejam áreas já desmatadas. Jamais derrubamos árvores! Se queremos ter um impacto ambiental positivo seria totalmente fora do nosso conceito derrubar uma floresta para plantar outra. Então pegamos áreas desmatadas e transformamos em floresta”.

Porém, fica a grande questão: o retorno financeiro só virá quando a madeira for comercializada, ou seja, derrubada para ser vendida. Gilberto explica essa polêmica e defende que o principal impacto é a redução da pressão sobre as florestas nativas. “Para conseguir atender a demanda do mercado, principalmente o internacional, a madeira nobre sai da floresta nativa. No nosso caso, quando chegarmos no ciclo de extração, evitamos a sua derrubada. A madeira não vai deixar de ser comercializada, pois é um insumo muito importante na estrutura econômica e comercial. Na Radix, fazemos um ciclo renovável, pois a árvore é replantada e esse é o maior impacto que vemos na hora da extração da madeira: evitar que florestas sejam desmatadas”.

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“Quanto mais pessoas empreenderem desta maneira, além de criar um negócio que seja rentável e sustentável, mais estaremos divulgando essa cultura de proteção ao meio ambiente. No nosso caso, se eu planto a minha madeira, eu sou sustentável. É possível investir no verde e ter uma rentabilidade muito boa. O verde vale a pena”.