Consumo desenfreado compromete renda do brasileiro

O endividamento das famílias brasileiras atingiu seu maior nível, desde a primeira medição do índice, em 2005, no primeiro trimestre de 2013. Segundo o Banco Central, atualmente, as dívidas representam 43,99% da renda bruta anual dos brasileiros. Há oito anos, as estatísticas registravam um endividamento de 18,39%. Nesse mesmo período, o volume dos empréstimos no país passou de 28,1% para 54,1% do Produto Interno Bruto (PIB). O comprometimento da renda […] <div class="read-more"><a href="https://exame.abril.com.br/rede-de-blogs/instituto-millenium/2013/05/29/consumo-desenfreado-compromete-renda-do-brasileiro/" class="more-link">Leia mais</a></div>

O endividamento das famílias brasileiras atingiu seu maior nível, desde a primeira medição do índice, em 2005, no primeiro trimestre de 2013. Segundo o Banco Central, atualmente, as dívidas representam 43,99% da renda bruta anual dos brasileiros. Há oito anos, as estatísticas registravam um endividamento de 18,39%. Nesse mesmo período, o volume dos empréstimos no país passou de 28,1% para 54,1% do Produto Interno Bruto (PIB).

Marcello Averburg

O comprometimento da renda familiar é um dos reflexos das políticas de concessão de crédito e de incentivo ao consumo. O economista e especialista do Instituto Millenium, Marcello Averbug, criticou a política econômica do atual governo. “O endividamento exagerado das famílias constitui um dos piores meios de promover crescimento econômico”.

Averbug acredita que a expansão da economia  deve se basear nos investimentos em setores estratégicos como o de infraestrutura, viabilizando o aumento da capacidade produtiva e a remuneração da mão de obra. “Assim as famílias alcançarão níveis de renda suficientes para depender menos do crédito para consumir”, explica.

O analista de crédito Marcos Vinicius de Aquino Mendes, responsável pela publicação do Boletim Macro do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) da Fundação Getulio Vargas (FGV), diz que a elevação dos gastos deve ser analisada em partes. “O crédito habitacional, que tinha uma participação muito pequena na carteira de crédito dos bancos, tem crescido de maneira acelerada desde 2004. Esse tipo de financiamento é encarado muito mais como uma forma de investimento das famílias do que propriamente crédito destinado ao consumo. Tirando essa parcela, o endividamento cai para 30,48% da renda disponível nos últimos 12 meses”.

Além de gerar mais inadimplência, o endividamento também afeta o funcionamento da cadeia produtiva. Com o orçamento apertado, as pessoas tendem a consumir menos. Para compensar a queda da demanda os produtores tendem a ajustar suas ofertas para baixo. Diante desse cenário, Mendes prevê a limitação das vendas e a redução dos  investimentos.

Marcello Aveburg cita a bolha imobiliária norte-americana como exemplo dos problemas criados pelas políticas de expansão do crédito. “A crise recessiva ocorrida nos Estados Unidos em 2008 deve-se, em grande parte, ao alastramento da inadimplência. Quando o volume de crédito atingiu, como agora no Brasil, uma proporção recorde do PIB transformando-se em frágil mola propulsora da atividade econômica, a cadeia produtiva engasgou”

A solução para o endividamento

O endividamento não é um problema de fácil solução. Marcos Mendes explica que o controle das dívidas depende de uma mudança de comportamento do consumidor brasileiro. “É preciso que a população entenda o custo do endividamento excessivo, dos altos juros cobrados em algumas modalidades, como cartão de crédito e cheque especial. Outra medida de vital importância é ampliar o horizonte das famílias, fazendo com que estas aumentem a sua propensão a poupar, que no Brasil é muito baixa.

Já o economista Marcello Averbug afirma que o único caminho para evitar a estagnação ou recessão resultante do endividamento seria o do forte incremento da taxa nacional de investimento, mediante projetos relevantes ao desenvolvimento do país.

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