Grandes empresas compartilham resultados da conexão com startups

O Corporate Pitch teve como objetivo apresentar os resultados das iniciativas, além de compartilhar aprendizados da relação de grandes empresas e startups.

Essa semana realizamos no Cubo em São Paulo um evento que reuniu diversos clientes da empresa que sou sócio (Innoscience Consultoria) que realizaram projetos de conexão com o ecossistema de startups durante o ano.

O objetivo do evento chamado Corporate Pitch foi apresentar os resultados das iniciativas, além de compartilhar aprendizados fruto da relação de grandes empresas e startups.

Participaram do evento grandes empresas como Klabin, Roche, Unimed VTRP, Sicredi, GSK, SLC Agrícola, Tegma, Ocyan, M.Dias Branco e Danone Nutrícia. Além de 3 painéis com essas empresas, startups como Allya, Postmetria e Celevita compartilharam suas experiências na interação com as grandes corporações.

Resumi alguns aprendizados relevantes apresentados durante o evento:

1. Alta liderança comprada

Todos os participantes ressaltaram a importância da alta gestão suportando os programas. Rosilene Knebel, superintende executiva da Unimed VTRP, ressaltou que a alta gestão é fundamental para testar novas ideias com startups. Ela trouxe que o presidente da cooperativa, o médico Aldo Pricladnitzki, disse a todos que é necessário mudar a perspectiva de “ver para crer”para “crer para ver”. Só assim pode-se permitir experimentar novas ideias em grandes empresas.

Outro relato nesse sentido foi compartilhado por Vania Neves, CIO e Líder de Inovação da GSK no Brasil. Durante o screening das startups do programa Together, um pequeno ruído de “jurisdição” ocorreu quando startups de Israel foram contatadas. Prontamente o presidente da operação brasileira interveio juntamente com o time para manter a execução das atividades conforme planejado.

2. Sponsors mobilizados

Para cada piloto realizado pelas empresas houve um patrocinador ou sponsor da área responsável. Esses são os responsáveis internos para conectar as startups com os times da área. Carla Frontini, gerente de inovação e novos negócios na Danone Nutricia apontou que os sponsors do programa de conexão com startups da empresa foram decisivos para garantir o sucesso da iniciativa.

3. Seleção do modelo e dos desafios

Existem diferentes modelos de conexão com startups, que vão desde eventos rápidos como hackthons até o modelo de corporate venture capital, onde a empresa monta um portfólio de investimentos em equity nas mesmas. Há também os modelos de aceleração, parcerias de desenvolvimento e contratação de serviços/soluções. A estratégia de inovação define o modelo e, uma vez definido o modelo, é preciso desdobrar em desafios específicos para identificar as melhores startups para cada caso. Tatiana Kim, Gerente de Qualidade Médica da farmacêutica Roche apontou que o modelo escolhido do Desafio Roche foi pensado a partir da especificidade da necessidade: medicina de precisão. Assim, a startup vencedora recebeu como prêmio um aceleração na aceleradora digital da empresa na Alemanha.

Outro relato interessante nesse sentido foi de Renata Freesz, Gerente de Inovação na Klabin. A empresa possui diversas iniciativas de intraempreendedorismo e inovação aberta com startups e universidades. Cada uma delas cumpre um papel importante na estratégia de inovação e foi pensada para entregar os resultados esperados: digitalização, mudança de cultura e otimização do negócio.

4. Áreas de apoio precisam suportar os programas

Normalmente grandes empresas possuem grandes controles. Para testar soluções de startups rapidamente é preciso alinhar processos como contratação, contas a pagar, compliance e tecnologia da informação. Startups são diferentes de fornecedores tradicionais e uma das coisas que se busca é incorporar a agilidade dessas nas grandes.

Fernanda Brandão, coordenadora de inovação na Ocyan, é responsável pelo programa Waves de conexão com startups. Ela compartilhou que no início do projeto as áreas de apoio foram envolvidas e prepararam os procedimentos necessários para permitir testar com segurança as soluções das startups no contexto da empresa.

5. Método para execução

Desde o início da Innoscience em 2006 sempre acreditamos na combinação de criatividade, disciplina e método para potencializar a inovação nas grandes empresas. Em relação aos programas de conexão com startups, o método organizado e acelerado de execução é fundamental para atingir os objetivos das iniciativas. Recentemente, nosso sócio Maximiliano Carlomagno publicou um artigo na revista MIT Sloan Review Brasil apresentando o framework estruturado de realização de pilotos com startups. Durante o Corporate Pitch, tanto Fernando Bochi (Diretor de R&D na M.Dias Branco) quanto José Carlos de Souza Filho (Coordenador do programa TegUp da Tegma) trouxeram a importância do método e disciplina durante e depois dos pilotos.

6. Resultado vem no rollout

O programa Agro Exponencial da SLC Agrícola testou soluções tecnológicas para otimizar e levar novas tecnologias para as fazendas de cultivo de algodão, milho e soja. A gigante agrícola possui mais de 400 mil hectares de área plantada.

Um dos aprendizados compartilhados pelo gerente de estratégia da companhia, Frederico Logemann está relacionado à importância da fase seguinte à validação das soluções das startups. O resultado financeiro não deve ser medido pelo piloto mas sim quando da implementação em larga escala da solução. Dessa maneira, a empresa precisa garantir que o roll out ocorra de forma acelerada e disciplinada.

Fabio Cefaly, Diretor de Novos Negócios da M.Dias Branco trouxe a perspectiva da experiência de investimento nas startups após a realização dos pilotos. O programa Germinar da empresa permitiu identificar uma ótima oportunidade de crescimento e resultados futuros através da aquisição de parte de uma startup.

7. Falhar barato também é importante

Uma das experiências compartilhadas diz respeito à um piloto que foi realizado porém não obteve os resultados esperados para a continuidade do projeto da organização. O programa Inovar Juntos do Sicredi testou 8 soluções de negócio para levar mais valor aos cooperados da instituição financeira. Algumas delas finalizar os pilotos com sucesso outras não, mas mesmo assim não foram considerados fracassos, mas sim aprendizados.

Um dos desafios estava relacionado a prover uma ferramenta de planejamento e gestão de negócios para MEIs e pequenas empresas. A prática mostrou que esse público não utiliza esse tipo de sistema, mesmo que oferecido gratuitamente pois necessita de informações e capacitação que são anteriores à adoção de tais ferramentas. Ao invés de considerar um fracasso, Valério Araújo, gestor da iniciativa, entendeu que a experiência foi muito válida pois serviu para evitar que a companhia investisse milhares de reais no desenvolvimento de um sistema que teria pouca tração no seu público. Falhar rápido e barato é parte importante do processo de interação, aprendizado e refinamento necessário para inovar.

Se você tem outros aprendizados da conexão com startups, compartilhe nos comentários.

Felipe Ost Scherer