Aprendizados para começar a transformação ágil do seu negócio.

Compartilho alguns aprendizados na implementação das ideias de agilidade em empresas que estão buscando incorporar a mentalidade e práticas ágeis.

Vivemos a era da inovação e da agilidade. Novas tecnologias, startups e modelos de negócios tem desafiado os gestores a criar empresas ambidestras que possam entregar e gerar valor com eficiência mas, ao mesmo tempo, construir negócios que respondam rapidamente às transformações do mercado e clientes. Nesse contexto, estamos vendo um desejo cada vez maior pela transformação do modelo de gestão que incorpore inovação e agilidade na cultura do negócio.

Compartilho alguns aprendizados como agile coach na implementação das ideias de agilidade em empresas de setores que não são digitais por natureza e estão buscando incorporar a mentalidade e práticas ágeis.

1. Sensibilize os potenciais ganhos

Grande parte das pessoas se mobilizam para temas que façam sentido para si e no contexto da empresa que estão trabalhando. Muitos justificam a introdução da agilidade na empresa trazendo o conceito do mundo VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo. Nesse cenário, a mudança constante e a dificuldade de dominar todas as variáveis para tomada de decisão pode ser um bom início para trazer a necessidade adotar novas ideias e formas de trabalhar.

Outros argumentos interessantes são os benefícios daqueles que adotam a agilidade. Há diversas pesquisas que apontam que empresas ágeis conseguem reduzir riscos de projetos, aumentar a velocidade de execução, melhorar a motivação das pessoas, aumentar a produtividade dos times e melhorar a habilidade gerenciar mudanças. Algumas pessoas gostam dos números e outras preferem exemplos de empresas que já fizeram o mesmo caminho. Nesse caso, convidar pessoas e empresas para trazer seus depoimentos é muito legal e traz uma sensação de que a jornada pela agilidade pode ser feita e vale a pena.

2. Trabalhe a liderança antes dos times

No modelo de gestão da maioria das empresas a liderança condiciona o comportamento das pessoas. O que é valorizado, praticado e cobrado pelos líderes normalmente impacta na cultura da empresa. Assim, precisamos começar construindo um contexto positivo para as mudanças de hierarquia e comportamentos que a transformação ágil pode trazer. Num ambiente ágil, a liderança da hierarquia tem menos influencia e interferência no trabalho dos times. Comportamentos relacionados à agilidade demandam uma liderança apoiando, dando autonomia, confiando, estimulando a satisfação do cliente em 1o lugar e outras tantas mudanças que os valores e princípios trazem.

3. Solidifique os valores e princípios

Isso é o mais importante. Os frameworks são secundários no início. Quando as pessoas começarem a refletir sobre o que estão fazendo e como isso se conecta (ou não) com os valores e princípios ágeis a mudança ocorrerá. Como qualquer processo de mudança organizacional, essa transformação leva tempo e precisa consistência. Não será em um workshop que você irá implantar a cultura da agilidade em sua empresa.

Outro fator importante é você ficar atento com a curva de adoção por parte das pessoas / áreas da empresa. Naturalmente haverá pessoas que prontamente irão se conectar com o tema e as ideias da agilidade. Outros, no entanto, levarão mais tempo para “comprar” essa nova forma de trabalhar. Monitore o processo de transformação e garanta que as ações tenha sustentação da liderança conforme visto no item anterior.

4. Exercite e adapte os princípios

Para times que não trabalham diretamente com projetos pode ser mais difícil no início entender como aplicar os conceitos da agilidade na prática. Acredito em aprender fazendo e simular de maneira prática a aplicação dos conceitos nas áreas traz aprendizados importantes. As vezes é necessário reescrever os princípios para uma linguagem que faça mais sentido para áreas específicas (especialmente aquelas que não trabalham com software), portanto vale a pena fazer esses exercícios. Como esse principio se aplicada no nosso trabalho diário? Estamos praticando? O que precisamos fazer para chegar lá?

5. Apresente as ferramentas e deixe que os times escolham os caminhos

Em todas as minhas experiências com agilidade foi necessário adaptar as práticas para exercitar a agilidade. Conhecer os frameworks permitirá você retirar o que há de melhor em cada um deles porém tentar aplica-los “by the book” pode ser um problema. Deixe os times encontrar a melhor maneira de aplicar a agilidade contextualizada ao negócio. Claro que você deve ter cuidado para não repetir o que ocorre em alguns clubes de futebol que adotam a estratégia de “mudar não mudando”, ou seja, somente incorporar o nome ágil ou papeis como scrum master, PO, dev… Faça os times entender os valores e princípios e até mesmo reescreve-los se necessário mas garanta que eles sejam praticados.

6. Utilize os multiplicadores ágeis

Uma boa maneira de traduzir a agilidade para o dia a dia de trabalho das pessoas é utilizando os multiplicadores internos. Nesse formato você pode escolher colaboradores que irão replicar os conhecimentos e criar momentos para que todos possam praticar a agilidade. Nesse formato, a comunicação é horizontal e bastante efetiva pois todos podem construir juntos a melhor maneira de aplicar os valores e princípios nas áreas da empresa.

7. Monitore as barreiras e ajuste o rumo

Assim como as retrospectivas são importantes para ajustar o processo após as sprints no Scrum, a mudança para mentalidade ágil é um processo de interação e ajuste constante. Monitore e aprenda rapidamente sobre os efeitos das ações que você está realizando na jornada de transformação ágil. Ouça as pessoas envolvidas e construa com elas novas ideias e ações para consolidar a agilidade na empresa.

Essas são algumas ideias de como iniciar a jornada pela transformação ágil de sua empresa. Se você tem alguma experiência positiva ou aprendizados, compartilhe nos comentários.

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