A era das organizações exponenciais

O desempenho das empresas exponenciais são 10 vezes melhores, mais rápidas e de menor custo que outras.

Salim Ismail é fundador, diretor executivo e embaixador mundial da Singularity University. Ele e seus colegas cunharam o termo “organizações exponenciais”, empresas que desenvolvem soluções pelo menos 10 vezes melhores, mais rápidas e de menor custo que as empresas estabelecidas no mercado.

Sua palestra no auditório principal da HSM Expo 2017 destacou os rápidos avanços tecnológicos que estão mudando diversos setores da economia. Para Salim, é preciso que aconteça a transição do conceito linear para o exponencial. “Tanto nossa educação formal quanto nossa intuição nos moldaram para fazer associações lineares, mas os dados hoje são exponenciais. Em dez ou 15 anos de crescimento da internet nos tornaremos cada vez mais dominados pela informação. O primeiro passo é garantir que as pessoas passem a pensar de modo diferente”.

Se conseguirmos acelerar a velocidade das mudanças usando tecnologias exponenciais com inteligência artificial, neurociência, biotecnologia, novas matrizes energéticas, etc… em breve teremos abundância, de tudo, nos serviços de educação, no fornecimento de água e energia, na medicina e muitos outros setores. Essas mudanças irão trazer impactos profundos na economia, na riqueza dos países e na competitividade das empresas. É preciso detectar a tecnologia exponencial cedo e abraçar a mudança.

O executivo também expôs o entendimento diferenciado que as empresas exponenciais têm sobre a evolução da tecnologia, descrevendo os mecanismos para a adoção de ideias e estrutura de uma organização exponencial. De acordo com ele, as empresas não devem apenas construir uma plataforma, mas se tornar uma. E nesse contexto, a informação acelera tudo, mas é preciso lidar com as informações corretas, relevantes e suficientes. “E seus produtos e serviços estão prontos para essa mudança?”, questionou. “Todas as funções de negócios estão mudando. É preciso ser adaptável, ágil e rápido e as estruturas das organizações não estão prontas para isso”, concluiu.

Para analisar a trajetória das tecnologias exponenciais, Salim apresentou os 4 D’s – Digitalização, Disrupção, Desmonetização e Democratização (adaptado do modelo dos 6 D’s desenvolvidos por Peter Diamandis e Steven Kotler, seus colegas da Singularity University.

Digitalização – estamos indo para o mundo digital, estamos digitalizando a nossa voz, imagem e informação. Os produtos e processos estão sendo digitalizados.

Disrupção – depois que digitaliza, a disrupção é muito grande. Um exemplo é a fotografia em que o modelo era de escassez e com a chegada da foto digital tudo mudou. O custo marginal de cada foto digital é próximo de zero (custa a mesma coisa tirar uma ou muitas fotos). Antes havia escassez e selecionávamos quais fotos tirar e revelar e, assim, havia um mercado para cursos de fotografia e câmeras de alto desempenho. Com a digitalização, a disrupção criou outras oportunidades para organizar, editar e armazenar grandes quantidades de fotos. Empresas estabelecidas que se criaram no mundo de escassez precisam identificar a mudança e se adaptar ao mundo de abundância.

Outro exemplo de disrupção são os carros autônomos. Com eles haverá um aumento da capacidade das estradas em 10x a 15x, ou seja, a mesma malha viária comportará um número bem maior de automóveis. Isso impactará nos valores imobiliários, no modelo de entregas (Uber ou Drones), a proximidade fica menos relevante, irá reorganizar as cidades. Para Salim, em 5 anos não fara sentido comprar carro movido a motor de combustão. Um carro combustão tem 800 peças e um Tesla apenas 17. Em 8 anos não vamos mais comprar carros, vivermos a era do transporte como serviço.

Desmonetização – quando ocorre a disrupção, os custos caem significativamente, ficando muito baratos. Quando o carro autônomo do Google foi lançando, o conjunto de sensores custava 200 mil dólares. Dois anos depois caiu pela metade. Em breve devem custar 100 dólares e devem ficar ainda mais baratos.

Democratização – é o momento em que todos podem acessar a tecnologia. É quando os produtos são transformados em bits e inseridos em uma plataforma digital de fácil acesso.

Para fechar a sessão, Salim deixou alguns conselhos para grandes empresas e como elas podem se preparar para a era exponencial.

– Faça a atualização da liderança – estimule que eles percebam que o mundo está mudando.

– Faça a revolução fora da empresa – de maneira lateral, paralelo ao negócio principal. Tirar da estrutura principal. Se você tentar inovar de forma disruptiva numa grande empresa ela tem um sistema que protege, torna imune, bloqueando essas iniciativas.

– Use a lógica dos sprints exponenciais – o chamado EXO Sprint é uma metodologia de 10 semanas para concepção e aceleração de iniciativas exponenciais.

Felipe Ost Scherer

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