Muita calma, nem tudo é o que parece ser

Nossos comportamentos e escolhas de vida são muito influenciados pela forma como vemos o mundo e atribuímos significados para o que vivemos.

Nossos comportamentos e escolhas de vida são muito influenciados pela forma como vemos o mundo e atribuímos significados para o que vivemos. Nosso cérebro identifica padrões nas situações que experimentamos e depois de um determinado tempo é capaz, de forma automática, de disparar uma reação comportamental, sem passar por uma nova reflexão.

Este mecanismo de memória é ótimo e sem ele a vida seria bem complicada: imagine toda vez que fosse atravessar uma rua tivesse que interpretar o significado de uma faixa de pedestres! Para combinados sociais que mudam raramente, este mecanismo nos poupa muito tempo! Porém em relacionamentos, agir de forma automática, sem nos darmos o tempo necessário para perceber o que de fato está acontecendo, pode ser uma receita para uma péssima escolha.

Um exemplo típico do nosso viés automático é atribuirmos características para uma pessoa baseada muitas vezes em uma única informação, por exemplo: o que significa ser americano, alemão, músico, engenheiro etc.

Um dos estudos pioneiros que acho que ilustra bem a forma como esse viés acontece foi chamado de “Halo Effect” e foi desenvolvido por 2 pesquisadores: Dion e Berscheid em 1972 com um grupo de 60 estudantes, metade mulheres e metade homens, na Universidade de Minnesota.

Neste estudo, os participantes viram 3 fotos, uma de uma pessoa atraente, outra mediana e outra não atraente. Para cada foto os participantes julgavam as 3 pessoas em 27 características de perfil como: altruísmo, conservadorismo, auto-confiança, estabilidade emocional, responsabilidade, extroversão, gentileza, entre outros. Além disto, perguntava-se também sobre o nível de felicidade em vários campos da vida como casamento (probabilidade de se divorciar), com filhos (inclinação para ser um bom pai ou mãe), profissional (gostar do que faz) e a felicidade de forma geral. Por fim, perguntaram qual o nível profissional que cada um aparentava ter em uma escala de alto, médio ou baixo status.

O resultado obtido foi que os participantes de forma geral acreditavam que a pessoa mais atraente tinha uma personalidade mais alinhada ao padrão de sucesso social da época, era mais feliz em todos os quesitos, assim como tinha uma carreira de maior sucesso.

Eu pessoalmente testei esta tese algumas vezes em workshops com clientes mostrando também fotos e perguntando sobre alguns traços de personalidade e obtive o mesmo resultado todas as vezes. Ou seja, podemos constatar sim que nosso olhar é enviesado. Agora quais os impactos disto em nossa vida?

Um possível impacto deste pré-julgamento é fazermos escolhas equivocadas como por exemplo na seleção de alguém para trabalhar em nossa empresa. Mas este eu diria que pode ser um impacto de curta duração, se você for capaz de, no convívio, observar o que está funcionando e o que não está funcionando e assim ampliar e até mudar de opinião.

Penso que o pior impacto do pré-julgamento é não darmos oportunidade para algumas pessoas, pois sabe-se lá que talentos estamos desperdiçando! Para citar um exemplo, podemos lembrar da história de Isaac Newton, que por tirar notas ruins na escola era visto como sem futuro. Erro feio não é mesmo? E o viés acadêmico é um mito valorizado nas empresas hoje em dia. Ter estudado em uma boa universidade muitas vezes é o primeiro corte na escolha de candidatos. Se sua empresa também faz isto, se pergunte, que outros talentos vocês estão deixando de incluir? Diversidade é um dos componentes essenciais para a inovação. E sem inovação, difícil imaginar uma empresa com um futuro longo!

Bem, agora que sabemos como nosso cérebro funciona e suas possíveis consequências, para minimizar este automatismo, principalmente no que tange a relacionamentos, podemos conscientemente lentificar nossos pensamentos mantendo a curiosidade sobre a outra pessoa e fazendo perguntas abertas como “O que você gosta de fazer? ” ou, “Conte-me mais sobre você.” Fazer boas perguntas e exercitar uma escuta profunda nos ajuda a fugir do nosso viés inicial.

Para quem tiver interesse em ver mais um exemplo muito bom sobre este tema, recomendo também assistir a uma breve apresentação da novelista Nigeriana Chimamanda Adichia no TED sobre: O perigo de uma única história. Assista aqui.

(Corall Consultoria/Corall Consultoria)

 

 

 

 

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