O empreendedor de fintechs muda seu negócio para sobreviver

Falta de vendas e novas oportunidades vistas fora do plano de negócios, fazem as startups se adaptarem

Você sabe o que é pivotar? É o termo utilizado para dizer que uma empresa mudou, em maior ou menor profundidade, seu negócio.

Segundo o Mapa das Fintechs Visa cerca de 77% das startups brasileiras já pivotaram em algum momento, ou seja, mudaram de segmentação ou de solução. Esse e outros dados estão presentes na análise da Visa, que apresenta um recorte das startups no Brasil. Em sua segunda edição, o estudo traz informações sobre faturamento, obstáculos enfrentados, dados sobre investimentos e detalhes sobre os profissionais que trabalham nas mais de 175 startups inscritas no Programa de Aceleração Visa 2019.

Ainda sobre pivotagem, o recorte mostra que 22% das startups mudaram apenas uma vez e 3% afirmaram ter pivotado mais de cinco vezes, o que pode ser considerado comum nesta área, já que muitas mudam seus negócios conforme demandas e oportunidades de mercado. Cerca de 23% nunca pivotaram e seguem na sua proposta inicial. A maioria das startups que se inscreveram no Programa (55%) tem entre um e cinco anos de existência, e 28% tem até um ano de idade.

É fato que esta adaptação decorre de oportunidades mas, também a boa e velha sobrevivência está em jogo.

Dados do estudo de mortalidade de empresas feito pelo SEBRAE, mostram que, fintechs , start-ups ou qualquer nome , chique ou não, que se queira dar para uma nova empresa  resulta em alta mortalidade, cerca de 66%, até os 6 anos do CNPJ constituído.

Os desafios do empreendedor no Brasil ainda são muito elevados. Os principais desafios citados pelas startups são a dificuldade em ter clientes (14%) e questões relacionadas à dinheiro (14%) – como investimento e fluxo de caixa, aparecem em primeiro lugar, seguidos por problemas com a regulamentação (13%). Burocracia e carga tributária ainda são questões que dificultam o empreendedorismo no Brasil.

Mauro Calil é fundador da Academia do Dinheiro