Malandragem de assessores e corretoras (com vídeo)

Como saber se você está investindo com a máxima segurança e rentabilidade?

Como profissional do mercado financeiro e professor, tenho muito contato com assessores, executivos e donos de instituições financeiras. Recentemente um assessor, em especial, me contou que, na Corretora onde trabalha, tem total autonomia para negociar taxas de remuneração para CDBs, LCIs e LCAs, por exemplo.

Significa que se o cliente (e ele me contou isso com todo orgulho), está em um enorme banco de varejo e vem recebendo 82% do CDI para um investimento de R$ 300 mil em CDB, ele tem a liberdade de oferecer 84% do CDI em uma LCI, o que já pode parecer, para um incauto, uma excelente oportunidade. E nesse cenário, como a operação é livre de Imposto de Renda, certamente, o negócio se torna bastante sedutor.  O que esse investidor não sabe é que o assessor poderia, na verdade, chegar tranquilamente a 89% do CDI para esta mesma modalidade de aplicação e volume. Esses 5%, portanto, ficam na manga do profissional, pois a Corretora permite este tipo de jogada.

Então, eu pergunto a vocês: o assessor está certo ou errado? Olha, essa é uma questão muito complicada e polêmica. Embora não haja lei específica que regule esta forma de negociação, eu, particularmente, não gosto da atitude e verbalizei isso na ocasião da referida conversa. Ele, no entanto, se justificou, dizendo que se chegar, já no primeiro contato, oferecendo 89% do CDI, o cliente pode concluir que o investimento é inseguro. Algo que não é necessariamente verdade.

Portanto, como você sabe se o seu assessor oferece toda a remuneração que ele pode em um título? Muitas vezes, a discussão de uma taxa toma o formato de um leilão. O assessor oferece 110% do CDI em uma operação de três anos, o cliente argumenta que no mercado conseguiu uma remuneração melhor e o profissional tenta fechar a questão em 117% do CDI, para o mesmo período. Enfim, com isso já é possível saber com que tipo de profissional você está lidando.

Outra coisa que me disseram é que as plataformas online também têm as suas “malandragens”. Por meio do monitoramento permanente do comportamento do cliente, os chamados “robôs”, com inteligência artificial, conseguem customizar ofertas, que nem sempre são as melhores para aquele investidor. O algoritmo faz isso com maestria.

Por isso, sempre recomendo que se tome muito cuidado com determinadas Corretoras e Distribuidoras de Valores. Aumentar a rentabilidade em 0,5% ou 1% do CDI pode parecer pouco ao final de um mês? Não é pouco. É pouquíssimo. Mas, ao final de um ano, sobre um montante financeiro razoável, pode ser bastante significativo.

Mauro Calil é fundador da Academia do Dinheiro

Veja também o vídeo relacionado a este texto: 

 

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