Deflação, uma praga econômica

O que você faria se soubesse que amanhã qualquer coisa que fosse comprar seria mais barata que hoje?

O Brasil conviveu por muitos anos com o fantasma de inflações elevadíssimas, e até, a chamada hiperinflação. Eu me lembro de ir com minha mãe ao supermercado e pegar produtos antes que fossem remarcados com etiquetas de preço.

Agora, diante de uma economia ainda oscilante, mas com taxas inflacionárias estáveis, há indícios, em alguns segmentos, da possibilidade de que ocorra uma nova deflação. É importante lembrar que, em junho de 2017, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou negativo em 0,23%, o menor desde agosto de 1998, que havia registrado queda de 0,51. Em novembro de 2017, houve uma variação negativa de 0,21%. Ante disso, a última deflação no país havia sido registrada em junho de 2006, quando o indicador ficou em -0,21%.

A deflação, que mostra queda de preços, aparentemente pode ser algo positivo. No entanto, se for prolongada, pode se transformar  em algo tão negativo ou mais que uma inflação alta e ser combustível para uma recessão. Com os preços caindo, o consumidor vai deixando de comprar, pois, no dia seguinte pode encontrar o mesmo produto com valor ainda menor. Assim, compra apenas o essencial.

Os investimentos ficam altamente atrativos, mesmo os atrelados a IGPM ou IPCA, tudo por conta do fenômeno da marcação a mercado e do custo de oportunidade.

Por isso, a deflação pode ser comparada ao gafanhoto na lavoura: uma praga econômica que não pode persistir porque senão destrói tudo. Quando sobram produtos, diminui a produção e isto faz aumentar ainda mais o assustador índice de desemprego no País, que supera a 13 milhões de brasileiros.

Uma outra consequência que deve acontecer caso se confirme a deflação, é que ocorra uma queda ainda maior na taxa básica de juros no SELIC. Isto é péssimo para os poupadores, que desestimulados pelo juro baixo, saem às compras, aumentando a demanda e fazendo com que os preços voltem a subir. Nada que assuste, pois para o Brasil, uma inflação de até 3,5% pode ser considerada saudável para a sua economia.     

Mauro Calil é Fundador da Academia do Dinheiro