O trabalho e entusiasmo com Honda não podem ser de curto prazo

No Botafogo, o meia japonês receberá um salário fixo mensal e adicionais por metas alcançadas. Mas quais as metas do clube ao trazê-lo?

Na última semana a torcida botafoguense se empolgou com a chegada do japonês Honda ao clube. Com histórico interessante defendendo sua seleção e com passagens por importantes clubes mundo afora, o jogador, ainda que não esteja mais no auge de sua técnica, ainda tem poderio para ser uma peço acima da média no clube carioca. Dois pontos, contudo, precisam estar muito claros nesse processo: 1. O clube precisa fazer sua parte e ativar a chegada do atleta além do Departamento Técnico. 2. A torcida não pode festejar sua chegada em um dia e silenciar na sequência. Falemos sobre…

O Botafogo definitivamente não trouxe Honda exclusivamente por seu desempenho técnico. Não que o jogador não seja bom, porque é. Mas suas características extracampo sugerem a possibilidade de uma ativação vantajosa para o clube em diversas áreas. Honda tem esse carisma, a relação cultural Brasil-Japão (ou mesmo especificamente a influência japonesa por aqui nesse aspecto), é bastante rica. Além disso, o Brasil comporta uma imensa colônia japonesa, ainda que esta seja maior em São Paulo.

Sobre o assunto, falamos com Thiago Barros, Gerente de Conteúdo da Feng Brasil, empresa especializada em projetos de engajamento de fãs e que atua na gestão de alguns dos principais programas de sócio torcedor, entre eles, Flamengo, Santos e Vasco, e season ticket do país, como Allianz Parque. Thiago aponta ser “uma ótima oportunidade de engajamento e com potencial para repercutir bem tanto no Brasil quanto no Japão. AS ativações com a enorme comunidade japonesa no Brasil, e também com os brasileiros no Japão, podem ser opções interessantes. E isso pode envolver as redes sociais também. São ações que se complementam”. O executivo ainda completa sobre essa atuação nas redes sociais: “a criação de um perfil de rede social em inglês seria interessante para se comunicar com torcedores de todo o mundo, não somente o asiático. Depois, a comunicação específica com o público da região, por meio de posts direcionados. A divulgação dos horários das partidas para diferentes fusos também ajuda”.

O segundo ponto passa pela torcida não silenciar após a primeira derrota do clube em um jogo em que o japonês sequer participou. Botafogo perdeu apaticamente para o Fluminense no sábado. Mas essa apatia de dentro de campo não pode contagiar o torcedor. A recepção ao atleta no aeroporto e ao estádio apresentou festas de fazer atletas impensáveis querem vir ao Brasil saborear momentos semelhantes. Claro, não estamos falando do maior craque de todos os tempos. Mas Honda tem técnica e potencial fora de campo pra ser uma luz em meio à toda crise vivida pelo clube no âmbito financeiro.

É preciso que clube e torcida vejam Honda além do curto prazo. Um história que com o começo que teve, tem tudo pra ser linda. Mas que se acabar rapidamente se transformará em um fiasco e o feito no aeroporto passa a ser traumatizante para movimentos futuros.