O sucesso de George H. W. Bush

Até na morte, aos 94 anos, o ex-presidente deu exemplo de realizações memoráveis

Negociar o fim da Guerra Fria. Aprovar leis difíceis construindo consenso entre democratas e republicanos. Assumir a presidência do país mais poderoso do mundo, depois de servir como vice-presidente por dois mandatos. Costurar uma aliança mundial, incluindo diversos países que eram inimigos entre si, para expulsar as tropas iraquianas do Kuwait. Perder a reeleição e saber perder. Ver um filho assumir o posto de presidente. Outro, de governador. Manter um casamento por mais de sete décadas. Viver até os 94 anos. Não foram poucas, nem fáceis, as realizações de George H. W. Bush, o Bush pai.

Na internet, o maior sucesso foi para a demonstração de lealdade do cachorro Sully, um labrador que deitou ao lado do caixão do ex-presidente. A foto foi postada no Twitter por um assessor, com a legenda “missão cumprida”, e obviamente viralizou. Sully foi presenteado a Bush em junho passado, dois meses depois que sua mulher, Barbara Bush, morreu. É um labrador treinado para prestar alguns serviços (duas páginas de comandos, segundo as notícias).

Mas a demonstração de carinho de Sully empalidece em relação a outra homenagem, um artigo publicado no Washington Post escrito por Jeb Bush, seu filho e ex-governador da Flórida, e James Baker, seu amigo e ex-secretário de Estado sob seu comando. Os dois enaltecem as conquistas de Bush, incluindo saltar de paraquedas aos 90 anos, atribuem-nas a seu caráter, especificamente sua lealdade, capacidade de inspirar confiança, humildade e reverência.

“No mundo cínico de hoje, tais conceitos podem parecer fora de moda para alguns, e fáceis de dispensar. Mas os cínicos estão errados. Eles não são fora de moda. Eles são testados pelo tempo. Mais de 2.300 anos atrás, Aristóteles acreditava que as virtudes da prudência, temperança, coragem e justiça eram vitais para a raça humana. George H. W. Bush incorporava-as todas. E ele fez o mundo um lugar melhor por causa de sua adesão a elas.”

É lógico que o testemunho de um filho e de um amigo estão longe de representar uma opinião isenta, objetiva. Pode-se debater à vontade em que grau Bush pai incorporava as qualidades recomendadas por Aristoteles. Mas não é isso que importa. O que importa é o testemunho em si de um filho e de um amigo, com tamanha carga de admiração. Um filho e um amigo. Está aí uma boa medida de sucesso na vida.

* David Cohen é editor da revista EXAME

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