Tanto faz

Podendo pagar, escolha entre o Audi A6 e A7 é subjetiva, e não técnica

Ó, dúvida cruel! Qual dos modelos escolher para desfilar pelas ruas do Rio de Janeiro em um dia ensolarado — com um pedido de desculpas pela falta de modéstia? O descolado Audi A7 Sportback, cupê cheio de pose e charme, ou o sóbrio Audi A6, sedã classudo e elegante? Sim, a opção teria que se dar pura e simplesmente pelo estilo dos carros, porque, se fosse depender do acabamento interior, da tecnologia embarcada e da motorização, eu não sairia do lugar, por uma simples razão: os irmãos, embora com personalidades distintas quando vistos do lado de fora, têm a mesma essência se avaliados a partir de seu interior.

Bem, com todo o respeito aos mais formais, prefiro a descontração de um cupê. Foi dele que eu assumi os comandos, mas devo confessar que a decisão ocorreu depois de olhar por um bom tempo para um e para outro, sem parar, como se estivesse assistindo a uma disputada partida de tênis. Tentei dar um caráter mais técnico para o desempate, puxando os números de desempenho. Não demorei muito para constatar que não seria a partir dali que eu sairia do impasse. Senão, vejamos.

Audi: entre a formalidade do sedã e a descontração do cupê. Audi: entre a formalidade do sedã e a descontração do cupê

Audi: entre a formalidade do sedã e a descontração do cupê (Audi/Divulgação)

Equipados com motor 3.0, que desenvolve 340 cv de potência e torque de 500 Nm, e transmissão S tronic de sete velocidades, ambos têm número parecidos. O A6 faz de 0 a 100 km/h em 5,1 segundos e o A7, em 5,3 segundos. A diferença de míseros dois segundos se dá porque o A7 é mais pesado, mas essa comprovação só seria colocada à prova por um ás do volante, e em condições especiais de temperatura, pressão e, claro, tráfego. Isso não se aplicaria a mim, um simples motorista, ainda mais encurralado no trânsito carioca. Mesmo que conseguisse chegar a esse veredicto, bastou saber que nenhum dos dois passaria dos 250 km/h, velocidade controlada eletronicamente. Me dei por satisfeito. Os dois eram, a meu ver, praticamente iguais.

A saída poderia ser comparar os equipamentos em favor de conforto, segurança, entretenimento, condução, mas também não seria por aí que eu resolveria meu dilema. Deu empate. A6 e A7 são recheados de tecnologia que auxilia os ocupantes dessas salas de estar móveis — ou, melhor dizendo, estão cada vez mais em sintonia com salas de cinema, em um ambiente em que as telas, além de crescerem, se proliferam pelo painel e console, ou mesmo salas de concerto, a se julgar pela qualidade do sistema de som Bang & Olufsen 3D, com nada menos do que 16 alto-falantes e 705 watts de potência.

Audi: Visto por dentro, A6 e A7 são praticamente iguais Audi: Visto por dentro, A6 e A7 são praticamente iguais

Audi: Visto por dentro, A6 e A7 são praticamente iguais (Audi/Divulgação)

Fosse eu um potencial comprador, teria outro critério para fazer a escolha, este, sim, definidor: o preço. O sedã A6 custa a partir de R$ 426.990,00 e o cupê A7 Sportback, a partir de R$ 456.990,00. Mas esse, definitivamente, está longe de ser o meu caso. Posso me dar ao luxo de escolher tendo como base apenas o estilo da carroceira. E foi assim que saí acelerando, feliz como se estivesse a caminho de uma pista.

Viagem a convite da Audi do Brasil

Chico Barbosa é jornalista, escritor e editor da CBNEWS e autor do blog Car & Fun. Instagram: @Chico.Barbosa