Dirigente do BC chinês vê dólar mais forte no futuro

Dólar deve se fortalecer com a melhora da balança de pagamentos dos Estados Unidos

O dólar continuará sendo a moeda dominante no mundo e deve se fortalecer com a melhora da balança de pagamentos dos EUA, segundo um dirigente do Banco Central chinês.

Jin Zhongxia, chefe do instituto de pesquisas do Banco Popular da China, disse também ver grande potencial para que o iuan se torne uma divisa internacional à medida que a economia chinesa se tornar mais aberta e competitiva.

Jin fez essas declarações em caráter pessoal, num artigo escrito para a entidade londrina Fórum Oficial de Instituições Monetárias e Financeiras (FOIMF), que o distribuiu na sexta-feira.

“No futuro previsível, podemos falar do sistema cambial global como um marco de ‘1+4’. O dólar vai continuar a ser a superdivisa de reserva, suplementado por quatro divisas de reserva menores: o euro e a libra britânica na Europa; e o iene japonês e o renminbi chinês na Ásia”, escreveu ele, referindo-se a um outro nome pelo qual o iuan é conhecido.


Segundo ele, o predomínio do dólar está ancorado no poderio econômico, financeiro e militar dos EUA. Washington, acrescentou ele, também se aproveita da existência de uma “zona do dólar” informal, onde a moeda norte-americana funciona como meio de poupança e como moeda para transações internacionais.

Além disso, como o dólar tem câmbio livre em relação à maioria das outras divisas, ele pode ter seu valor ajustado conforme for necessário, e por isso se torna mais resistente a choques econômicos do que o euro.

“A zona do dólar parece muito mais frouxa, mas na realidade é mais coerente do que a área do euro, apesar do compromisso oficial dos Estados membros do euro com aquela moeda”, escreveu Jin.

Nos últimos anos, o dólar se desvalorizou diante de uma cesta de outras moedas importantes, o que ajudou as exportações norte-americanas. Por isso, disse Jin, a moeda dos EUA tende a se estabilizar ou até mesmo se recuperar em médio prazo. Além do mais, a maior produção energética doméstica levará a uma melhoria na balança de pagamentos dos EUA e a um fortalecimento do dólar no futuro”, escreveu.


A China não revela a composição das suas reservas em divisas estrangeiras, avaliadas em 3,3 trilhões de dólares e gerida pelo Banco Popular da China. Mas acadêmicos supõem que dois terços do valor estejam investidos em títulos denominados em dólar.

Falando sobre a Ásia, Jin disse que o iene deve continuar sendo a moeda de referência ao longo da próxima década, por causa da abertura dos mercados financeiros japoneses e a conversibilidade dessa moeda. “As liquidações em iene respondem por 30 a 40 por cento do comércio exterior total do Japão, um nível que a China levará anos para alcançar.” De acordo com o especialista, o ritmo da internacionalização do iuan dependerá não só das exportações chinesas em moeda nacional, mas também do tamanho, abertura e competitividade da economia do país.

Para Jin, o iuan tem grande potencial como moeda internacional, e um sistema cambial multipolar, com grande papel para o dinheiro chinês, poderia contribuir para a estabilidade econômica global.

“Mas devemos ter em mente que o uso transfronteiriço do renminbi se destina principalmente a lidar com alguns problemas da economia chinesa”, acrescentou.

Em particular, a internacionalização pode reduzir a disparidade cambial chinesa, de modo que uma taxa de câmbio mais flexível não gere choques inesperados na economia real, e que eventuais desequilíbrios externos possam ser corrigidos de forma rápida e eficaz, escreveu ele.